Nesta semana dos namorados, vamos refletir sobre a tendência de diminuir a erotização dos casais ao longo do tempo. E tentar alguns resgates da sexualidade dos pares que convivem por longos períodos.
No namoro inicial, a moça experimenta roupas, pede sugestão à amiga, capricha na depilação, na maquiagem, procura uma lingerie como provocação especial para o rapaz. Ele, do seu lado, arruma-se com esmero, estréia um perfume de proposta afrodisíaca e vai buscá-la com o carro polido. Os dois tentam aproveitar ao máximo o jantar em ambiente intimista iluminado a velas e regado a bom vinho, ensaiando propostas sensuais e prolongando a noite em um motel sofisticado.
Há dois dias, muitos casais que já convivem há um bom tempo repetiram esse estilo de programa. Alguns só fazem isso nessa data específica, infelizmente. Durante o resto do ano, namoram de modo minguado ou mantêm encontros sexuais que mais parecem dever cumprido do que desejo inspirado.
Há tentativas de se determinar estatisticamente depois de quanto tempo a convivência começa a "estragar" a relação. Cinco anos? A crise dos sete? Há quem defenda a tese de que basta começar o dia-a-dia em uma casa comum para o problema ter início. Viver no mesmo local aproxima muitos aspectos semelhantes mas também revela fortes incompatibilidades.
Em princípio, imagina-se que os pares irão usar ao máximo essa oportunidade do convívio, aproveitando-o para estar sempre juntos. Mas nem sempre é assim.
Até em datas especiais, como na noite de 12 de junho, muitos casais não saem juntos como um par romântico. Eles precisam da companhia de outros, transformando em festa social o que seria oportunidade intimista.
Todos observamos que, progressivamente, a maioria dos pares vai se distanciando dos enlevos eróticos, das vivências românticas, incluindo atitudes isoladas, individuais ou agregadas a terceiros: filhos, outros familiares, vizinhos, parceiros sociais. De bons amantes do início da história comum tendem a se comportar como parentes, irmãos, companheiros de república.
A moradia compartilhada implica um processo de intimidade visceral. Quando os pares são abonados, cada um pode usufruir de sua suíte, mas a maior parte não tem essa disponibilidade e divide um único banheiro. Usar o mesmo toalete implica esquecer de dar a descarga, não fechar a porta, clamar por papel higiênico insuficiente...
Dormir juntos nem sempre significa oportunidade sexual e pode envolver lances desagradáveis, tais como ouvir um ronco, deparar com o odor de um flato.
Conciliar o sono pode ser automático para aquele que dorme ao encostar no travesseiro, mas pode ser estressante para quem tem crises de insônia.
A gravidez, o aleitamento, a presença de filhos concorrerão inevitavelmente com as inspirações eróticas dos pais.
As crises evolutivas e de saúde são verdadeiras provas de ajuste conjugal. Lidar com a TPM, cuidar do companheiro doente, transformar o criado-mudo em apoio de remédios, fazer da cama um leito hospitalar é missão impossível para alguns.
Uma minoria privilegiada tem facilidade em conciliar as intimidades: amam-se visceralmente sem prejudicar a libido. A menstruação não impede o sexo, marido e mulher transam suados depois da academia.
A maioria, no entanto, tem que tomar providências antes que o relacionamento não agüente: os pares devem revigorar-se como amantes, reservando-se na intimidade visceral e expondo-se na erótica. É essencial que voltem a se produzir para se encontrarem sem a presença de terceiros, e não apenas quando recebem visitas.
A toalha de linho herdada, o faqueiro refinado que ganharam no casamento são para serem usados em uma refeição para os dois, não há que esperar por hóspedes especiais.
Não se sustenta uma relação amorosa sem reciclar o namoro.
1. Rosário de F. R. O. Saad
21/06/2008
Sobre o artigo, nada a declarar...É necessário reciclar sempre a fase do namoro....Mas analisando detalhadamente o artigo, notei o realismo terrível nele contido..... Algo foi deixado de lado... O AMOR VERDADEIRO... Quando o casal se ama, verdadeiramente, a tendência é que amadureçam juntos e igualmente...Nada, irá mudar essa situação.. Nem o mau hálito, nem a presença dos filhos, nem as crises evolutivas de saúde com os remédios ao lado da cama do casal, etc ... Existem casais que se amam...Raríssimos, é verdade, mas se amam e com isso a relação sexual passa a ser prazeirosa.... Se um dia o libido diminuar, ainda restará o AMOR que os sustentará, pois eles foram feitos um para o outro... Nada abalará esse amor....Você(s) acredita(m) em almas gêmeas??? Vejo o artigo realisticamente, mas conheço casais que se amam muito, apesar do tempo e dos problemas que já enfrentaram em suas vidas. Um grande abraço. Rosário.
2. Rosário
22/06/2008
sobre o meu comentário de 21.06.08:.......onde lê-se prazeirosa, favor ler prazerosa. (Artigo: conviver e namorar de 14.06.08) . Grata. Rosário
3. fabiana ubinha
08/07/2008
Adorei!!!! Estou há 17 anos com meu companheiríssimo querido, alma gêmea....mas a rotina é massacrante e nunca podemos deixar de namorar, namorar, namorar.... para não terminar com irmãos. Gostei do texto porque acabou de me dar uma boa chacoalhada!!!
4. antonia
18/07/2008
muito bom, o texto faz refletir sobre a união, que muitas vezes estão proximos os corpos e distantes os desejos. obrigado, por ter levantado esse problema, que é de interresse de todos, até mesmo daqueles que ignoram.