A disfunção erétil

A disfunção erétil
31/05/2008

É impressionante a dimensão do sofrimento de um homem comum quando ele depara com a disfunção erétil. Apesar de ser um fenômeno corriqueiro - é muito difícil passar toda uma vida sem experimentar algumas “brochadas”, e nas etapas mais maduras da vida elas serão inevitáveis - os mitos sobre o tema são fortes e preponderantes sobre os fatos.

Da enorme tradição mítica, seleciono algumas matérias para debater com os leitores, convidando-os para se aliarem comigo nas linhas de combate aos valores fálicos convencionais.

Em primeiro lugar, temos que efetivamente levar em conta o alcance funcional do membro masculino, não sua dimensão física.

O homem necessita do pênis que desenvolva sua fisiologia básica, e basta! Ou seja, um membro que cumpra fundamentalmente seus dois papéis: excretor e sexual-reprodutor.

Como órgão capaz de exercer a micção, a sua função de eliminar os excretos do rim, o pênis deve atender essa finalidade urológica essencial independentemente da intumescência. Aliás, se estiver bem preenchido de sangue não eliminará urina.

E como órgão capaz de exercer o sexo genital e/ou reprodutivo, receber e conter naturalmente o sangue que o preencherá ao longo da excitação erótica para que ocorra a penetração, o controle do momento orgástico e a (in)conveniência da ejaculação intravaginal.

Pronto! Nada mais se cobraria do pênis. E se daria início a um outro padrão erótico de vida.

Deveríamos esquecer da importância convencional e machista da ereção. Esse estilo guiado pelo machismo e pela cultura falocêntrica associa o pênis intumescido com demonstração de força, capacitação masculina, desempenho sexual olímpico.

Precisamos dispensar o falo emblemático, recusar o poder do pênis ereto e reiniciar o erotismo com outros valores e critérios, valorizando cada vez mais outras áreas do corpo, não apenas as tradicionais zonas erógenas (boca, ânus, genitais e mamilos). Há que expandir a sensualidade para a visualização, olfato, gustação, audição, massagens e toques no corpo todo.

Vejam uma situação prática sugerida para a sexualidade renovada de um casal no século XXI.

Os pares brincariam de se provocar. Para começar, desenhariam uma bandeira: meia banda na cor azul e meia em tom rosa. Grandes letras negras anunciariam: M S F.

Seguindo o lema, iriam se excitando, tocando pontos corporais nunca imaginados como erógenos. Por exemplo: massagear o joelho, lamber o cotovelo, cheirar o umbigo, olhar a axila, beijar a raiz dos cabelos.

Evitando voluntariamente o encontro genital, ainda que prontos para exercer a penetração - vagina lubrificada e pênis bem cheio de sangue -, prosseguiriam explorando as sensações dos outros campos somáticos.

Agora, servir-se-iam de um vibrador. O homem previamente avisado para que não se sentisse em plano secundário - sem inveja do artefato - com este massagearia a mulher nos genitais. Se possível, prosseguiria até que ela tivesse um orgasmo. Depois, ela também passaria o vibrador nele ou manipularia o pênis (ereto ou não) até que ele tivesse (ou não) o seu gozo.

Cada par iria se inteirando de que uma relação sexual é uma transposição bipessoal de fronteiras. Cada um tem que sair de si próprio, ir ao outro, visitá-lo, senti-lo, tocá-lo, massageá-lo, percorrê-lo, estar sempre focado nele e não em si mesmo.

Se quisesse, o casal retomaria o sexo genital, cuidando para que o pênis participe discreta e espontaneamente, sem recuperar o valor fálico e o medo da “impotência” (palavra em desuso). Ereção não é força, nem comprovação energética. É relaxamento, é entrega.

A exploração somática instiga a diligência do espírito, de modo que corpo e alma, afeto e desejo interagem com mais facilidade. É uma providência a serviço do amor.

3 Comentário(s) desse artigo

1. Wilmar Batista de Moraes
15/06/2008

Concordo que o sexo não é força e sim relaxamento. Nesse mundo agitado, como é possível homens e mulheres relaxarem após um dia extremamente agitado. É sabido que para a fadiga mental são necessárias 72 horas para eliminar todo o estresse. Coisa que não consguimos nem mesmo nos finais de semana. Veja meu caso, sou muito ansioso e estressado, preocupo muito com o dia de amanhã. Sou casado e tenho uma boa ereção, mas por algumas vezes não consigo mante-la até atingir o orgasmo. Já consultei um Urologista e fiz todos os exames e nada foi constadado do ponto fisiológico. Como encontrar uma solução para meu caso creio eu, deve atingir muitos homens nessa sociedade moderna

2. DOSILDO MOREIRA MACEDO
28/09/2008

AO COMTRARIO DO SR.WILMAR EU TENHO UMA PÉSSIMA EREÇÃO , APESAR DOS MEU 65 ANOS SEMPRETIVE UMA EJACULAÇÃO RÁPIDA , POR VEZES EJACULAVA ANTES DA PENETRAÇÃO . O QUE PODE SER FEITO OU MELHORADO ?

28/09/2008

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