Na próxima segunda-feira, 8 de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Na coluna de hoje, destacaremos o trabalho de uma mulher que tem muita sensibilidade e sabedoria a respeito da sexualidade feminina.
A psicanalista inglesa Susie Orbach, de 62 anos, casada há mais de 20, mãe de dois filhos, é professora da London School of Economics. Ela escreveu vários livros e fundou o Centro de Terapia da Mulher, uma referência na área. Ficou muito conhecida do grande público graças à popularidade de sua paciente mais famosa, a princesa Diana.
Susie Orbach não gosta de falar sobre a ex-paciente e não revela o tempo que durou o tratamento. O assédio a lady Di estendeu-se à terapeuta. Ela recebia telefonemas de jornalistas fazendo perguntas sobre todos os detalhes de sua vida.
A bulimia da princesa, entretanto, era do conhecimento comum, o que permitiu à profissional comentar: “em plena crise emocional, seu corpo emagrecido era o espelho da cabeça. Era a imagem do sofrimento. Mas mais do que isso. O que Diana estava dizendo era que seu corpo teria que ser de outra maneira, ou seja, perfeito. Não era um problema só da cabeça, mas também do corpo. Milhares de mulheres também se sentem tremendamente angustiadas em relação a seus corpos. Elas controlam o apetite, tomam remédios e passam por cima de suas necessidades vitais porque acham que suas silhuetas devem encaixar em determinado modelo”.
O mais recente título de Susie Orbach é Bodies (Corpos), publicado no ano passado. Neste livro, ela volta ao tema da ditadura da beleza, debatendo a alienação atual sobre os corpos femininos. O leitor pode observar um interessante site (www.any-body.org), onde se cria um impacto com imagens controversas, apresentando mulheres belas e incomuns, baseadas nos trabalhos da autora.
Comparando as situações da atualidade com as da época em que, como jovem, se encantava com as imagens das estrelas de cinema, ela indica: uma ou duas garotas do colégio eram tão belas quanto as famosas, mas isso representava uma aspiração flexível, um modelo que as outras poderiam imitar, mas ninguém precisava igualar-se a ele. Não se imaginava alcançar aquela imagem atlética ou de rainha da beleza. E acrescenta que uma estrela de cinema estava lá para isso mesmo, para ser uma inspiração, um modelo não atingível. Hoje, trata-se de um imperativo: a mulher comum tem que ser igual às modelos, sacrificando seus corpos em dietas e cirurgias caras e arriscadas.
Se a silhueta não estiver nesses conformes, a mulher desenvolve uma intensa e estressante insegurança emocional. Espelhando-se nas modelos de capas de revistas, ela tenta moldar sua imagem para atingir o corpo “sarado e jovial”, submetendo-se a uma perigosa corrida por remédios, suplementos alimentares e procedimentos plásticos.
Outro livro seu, um dos mais vendidos na Inglaterra, A Impossibilidade do Sexo, tem edição brasileira e contraria uma referência muito em voga: quanto mais sexo, melhor. Para ela, é perfeitamente possível ser feliz fazendo sexo apenas uma vez por mês. Com a experiência de atender mulheres em seu consultório há mais de 20 anos, ela diz: “o que percebo é que sexo para muitas delas é como se fosse uma espécie de mercadoria. Sexo é um objeto que pode ser usado quando desejarem. É bom, mas está longe de ser encarado como parte essencial de suas vidas, como enxergar ou ouvir. Para muitas mulheres, sexo não é crucial”.
Ao contrário da psicanálise ortodoxa, a autora não entende que atração sexual entre paciente e terapeuta ameace o tratamento - a paixão seria um manancial de informações importantíssimo para a compreensão do paciente.