Desde o final do ano, tenho respondido a cartas no site de namoro Metade Ideal, do UOL. Surgem questões diversas que não fogem de certa rotina de dúvidas presente na maioria das relações amorosas. Porém, às vezes, surgem algumas que merecem uma reflexão mais ampla e profunda, a serviço do amor e do erotismo sadio e inteligente.
Eventualmente, quando alguma delas me parecer oportuna, vou debatê-las com os amigos e leitores da coluna.
Das que me chamaram a atenção, inicialmente, selecionei a de um moço que, resumidamente, assim se expressou: “... me entrego completamente quando estou apaixonado... tenho um outro lado que é extremamente liberal e a inclusão de outros casais, homens e mulheres no relacionamento me excitam demais... como abordar o assunto com a minha futura parceira sem ser ofensivo ou sem que ela se sinta usada... pois o meu maior objetivo é diversificar as opções e ampliar a intensidade e a cumplicidade da relação.
Como deixar claro os meus sentimentos, explicar que isto é só um tempero extra para a relação e que o objetivo é proporcionar momentos mais prazerosos para ela?”.
Enquanto circulamos pelo universo virtual, podemos imaginar qualquer coisa, iludirmo-nos com mil fantasias, tudo sem limite ou fronteira. Quando recomeça a realidade, precisamos nos colocar dentro dela, encarar as frustrações, aproveitar as conexões que são possíveis.
Depois da globalização que a internet promoveu, mensagens e imagens do outro lado do planeta ou do vizinho de apartamento estão à frente do usuário da rede. Nem sempre, entretanto, esta facilidade e o conteúdo da imaginação se sustentam à hora do contato físico, real. Em muitas oportunidades, as expectativas que os dois cultivavam enquanto interagiam virtualmente são anuladas pelos impactos do mundo material.
Esse rapaz que conjectura sobre encontrar uma nova namorada para quem ele venha a se dedicar profundamente, e com quem ele realize algumas fantasias estilo ménage à trois, discrimina pouco os tópicos dos seus devaneios em comparação aos da candidata ao relacionamento.
Vamos refletir sobre essas contradições.
À medida que ele realmente se entregasse de corpo e alma, não haveria razão para fazer mistérios, sendo natural se abrir com naturalidade e comunicar suas tendências e opiniões.
Porém, qualquer coisa entendida como delicada ou perigosa que ele quisesse dizer para a parceira, exigiria certa política. Ele não poderia apresentar esse convite de incluir um terceiro na intimidade erótica como um segredo especial ou criando nuvens de dificuldades, pois pareceria duvidar da sua boa intenção. Também não seria bom abordar a situação com um ar de solenidade ou cuidado enfático, pois faria supor algo difícil de ser encarado.
Se ele desejasse sugerir diversidade sem incomodar a namorada, seria interessante entrar no assunto através de uma oportunidade externa: um comentário de revista ou de um programa de TV daria o start para ele aproveitar a circunstância e colocar o assunto em pauta. E sempre levando em consideração que tudo aquilo que ele julga que proporcionará “momentos mais intensos para ela”, pode representar apenas uma fantasia dele e não da moça.
Ele não poderia entrar no assunto como se isso já fosse do interesse dela, mesmo porque nada disso seria necessário se ele já soubesse que ela tem um desejo parecido.
E para fechar, ele também deveria se preparar para a possibilidade de lidar com a frustração: caso ela não se interesse pelo tema, como ele diz que costuma se dedicar intensamente à pessoa escolhida, deverá fazer esforços notórios para prosseguir na relação, abdicando de quaisquer fantasias que não favoreçam a conexão do casal na realidade!
1. benedita ap baptista
17/03/2010
Não diria todos, nunca, mas a maioria dos homens acha que pode escolher o que agrada uma mulher , antes mesmo de conhece-la, talvez seja uma característica masculina mesmo.Vejo nesse comentario do internauta uma procura pela mulher ideal(dele) e se não for assim, não tem relacionamento.Concordo mais com o autor tese de que devemos adaptar nossos desejos aos da pessoa que ¨dizemos¨amar...