Nas atividades clínicas e cirúrgicas, um bloqueio explica várias situações ligadas a doenças e tratamentos. Pode ser obstrução mecânica de um órgão (cálculo na via biliar), analgesia que o anestesiologista induz onde o cirurgião opera, efeito de medicamento sobre a absorção de gordura. Em psiquiatria, dois exemplos: amnésia lacunar por impacto emocional; técnica de hipnose (bloquear órgãos sensores menos os auditivos que prosseguem conectados ao terapeuta).
Na sexualidade, ocorrem bloqueios sobre o desejo, a excitação, resposta sexual e, em grau superlativo, o orgasmo. Como o bom aproveitamento da libido sexual implica equilíbrio funcional entre expansão e contenção, a pessoa deve ter suficiente controle para bloquear o que não interessa e expressar o que vale a pena.
Pensando no erotismo corporal e na própria vivência genital, há bloqueios inconvenientes nos dois gêneros. Nas mulheres, barreiras moralistas e obsoletismo religioso impedem que relaxem na estimulação e na entrega. Nos homens, a ansiedade de cumprir a penetração pode inibir a ereção.
Ampliando os horizontes do erotismo, permeando toda a sensibilidade humana para estímulos agradáveis, o panorama se enriquece - e o risco de bloqueios indesejáveis também. É essencial aproveitar toda a captação dos órgãos dos sentidos (o odor do bosque primaveril, o sabor do vinho bem conservado, a audição da linda melodia, o toque da pétala sedosa, a visão de peixes exóticos). Isso se revela imprescindível na nossa subjetividade de curtir espetáculos culturais. Ler bons textos, assistir a palestras, peças, filmes, debater temas são prazeres de grande abstração intelectual e transcendência afetiva que não podem faltar à existência saudável.
Municípios, estados, a federação, empresas públicas e privadas devem facilitar a programação, montagem, divulgação e apresentação dos trabalhos artísticos e científicos incluídos nas leis de incentivo cultural. Algumas prefeituras e estados têm legislação específica. No plano nacional, a do Ministério da Cultura. Conforme o gigante burocrático, atrasos, motivação política e exigências emperram o sistema.
Para a população, vale o aprendizado e a curtição. Os responsáveis têm que oferecer o máximo de oportunidades e conveniências para as percepções e concepções dos brasileiros e regiões.
Populares como a densa Virada Cultural, ou optativas como o consagrado Café Filosófico, toda promoção deve atender aos interesses da população e não às expectativas pessoais ou eleitoreiras. O prazer e a erudição dos espetáculos são para os que deles fruem na receptividade de espectador e na interatividade de debatedor.
A Lei Rouanet atingiu a maioridade em dezembro último. Que esses 18 anos marquem uma revisão adulta e adequada para melhor cumprir sua missão sublime.
Para promover o erotismo cultural de bom nível com gratificação partilhada, as interações seriam semelhantes às do encontro sexual. O bom parceiro não é egoísta, empenha-se pela excitação do outro, não o engana nem ilude, oferece o afeto sincero com que se inspirou, não se compromete além dessa inspiração, joga aberto e limpo, preocupa-se em dar muito prazer e viver o próprio gozo recebendo o que vier sem cobranças.
O público reage pela satisfação, à medida que é atendido na sua expectativa e no seu gosto. Do mesmo modo que o parceiro íntimo quer repetir o encontro agradável, aprova os espetáculos bons e pede bis. E quando não gosta, não adianta forçá-lo, não se motiva nem com grandes reforços de mídia, não aceita um estupro cultural.
Aprendendo com o público, os gestores da nossa cultura não mais se desgastariam em apoiar obras rejeitadas como o filme Lula, o filho do Brasil. É preciso dimensionar melhor quando a realidade é mais atraente do que a novela, para que a demanda política não supere a oferta de cultura.
1. marilda oliveira sinigaglia
14/02/2010
Muito inteligente a metáfora, dr Zailton Viver uma vida plena , ser feliz, é em última instância, isso. alimentar a alma, o espírito, aí sim , o corpo olhe os frutos... Parabéns por mais esse artigo , tão interessante.
2. marilda oliveira sinigaglia
14/02/2010
Muito inteligente a metáfora, dr Zailton Viver uma vida plena , ser feliz, é em última instância, isso. alimentar a alma, o espírito, aí sim , o corpo olhe os frutos... Parabéns por mais esse artigo , tão interessante.
3. Carlito
10/04/2010
Para promover o erotismo cultural de bom nível com Achei muito interessante afrase abaixo, já seu sentido nos mostra um real exercício de empatia amorosa: "gratificação partilhada, as interações seriam semelhantes às do encontro sexual. O bom parceiro não é egoísta, empenha-se pela excitação do outro, não o engana nem ilude, oferece o afeto sincero com que se inspirou, não se compromete além dessa inspiração, joga aberto e limpo, preocupa-se em dar muito prazer e viver o próprio gozo recebendo o que vier sem cobranças." Empatia essa que tende a amplia nossa relação conjugal potencializando os vínculo daafetividade humana. Por isso que o texto acima nos procura abrir os olhos da alma e,portanto, do coração.