Aos leitores e amigos, reservo as melhores expectativas para essa nova temporada, iniciando o nosso décimo-primeiro ano da coluna Sexualidade, aos sábados aqui no Correio, e retomando os encontros do GEA (Grupo de Estudos sobre o Amor), em seu décimo ano, abertos ao público que todas as segundas-feiras é acolhido em dependência do Tênis Clube, gentilmente cedida por sua diretoria.
Hoje, vamos aproveitar a experiência de ter participado de programa da Band TV sobre afrodisíacos e gastrossexualidade, a ser anunciado pela emissora.
Mesmo depois do boom dos remédios que vitalizam a resposta sexual masculina, as técnicas milenares de estimular a sexualidade consumindo ervas, plantas, frutas, carnes e outros ingredientes que compõem receitas consideradas afrodisíacas continuam em moda. A culinária mundial tem oferecido muitas sugestões que, além de uma alimentação saudável e equilibrada, podem promover a energia e a satisfação eróticas.
O verbete “afrodisíaco” é utilizado desde o século I a.C., significando aquilo que excita ou restabelece os desejos sexuais (Houaiss). A palavra é derivada de Afrodite, deusa do amor na mitologia grega, depois cognominada Vênus, entre os mitos romanos. Nas lendas gregas, Afrodite teria nascido da espuma do mar, dos genitais castrados do seu pai e lançados na água. Depois, na reinterpretação romana das fábulas, seria filha do deus maior, Júpiter, e Diana.
Podemos nos estimular eroticamente de maneiras muito variadas - a via de acesso ao corpo pode ser qualquer um dos órgãos dos sentidos. Um aroma delicioso, uma melodia inebriante, um toque no veludo macio, uma imagem onírica também podem funcionar como vigorosos afrodisíacos. O sabor e a absorção dos alimentos são promovidos pela apresentação dos pratos e as cores dos ingredientes.
Mesmo que ainda não se tenham confirmações científicas quanto aos efeitos afrodisíacos de certos alimentos, não se pode discordar de um fato: um prato bonito e saboroso, um jantar íntimo a luz de velas são realmente estimulantes para o amor.
No enlevo charmoso da gastronomia, os alimentos afrodisíacos, isolados ou participando de receitas, teriam a capacidade de aumentar o apetite sexual. Uma iguaria só poderia ser reconhecida como afrodisíaca quando resultasse em facilitação erótica. Seja por sua eficácia sistêmica, objeto de estudos que seguem inconclusivos, seja pelo contexto psicológico, implicando os valores das crendices, do folclore e o fantástico efeito placebo.
A ciência tem, ultimamente, avalizado alguns devaneios folclóricos.
A feniletilamina, mediador neuroquímico que participa da sensação de prazer, já foi encontrada em muitos alimentos apontados como afrodisíacos: alecrim, catuaba, ginseng.
A l-arginina, presente em alimentos protéicos (carnes) e outros (chocolate), libera óxido nítrico, necessário no mecanismo da ereção; ostras possuem zinco para a produção de testosterona; a vitamina B3, encontrada em peixes, aspargos, facilita a irrigação dos genitais.
O selênio da castanha-do-pará colabora com a fertilidade; o zinco do gérmen de trigo ajuda na produção hormonal; a vitamina C das frutas frescas, principalmente amareladas e cítricas, tem ação antioxidante e protegeria o sêmen.
Há um estímulo de erotização diante de alimentos que apresentam semelhanças com os genitais: ameixa, pêssego, para o feminino; banana, pepino, para o masculino.
Na esteira dos efeitos benéficos sobre a saúde geral, muitos nutrientes promovem o desempenho sexual: o ácido ômega-3 do salmão e da semente de linhaça tem ação antiinflamatória; o licopeno do tomate e da goiaba destrói radicais livres; o ferro dos vegetais escuros, o magnésio do trigo integral, o potássio da banana diminuem a fadiga, previnem a câimbra.
Continuam muitas incertezas científicas nos alimentos e nas suas decorações com expectativas afrodisíacas, o que, felizmente, não tem impedido que as pessoas desfrutem dos climas eróticos e afetuosos que esses arrebatamentos promovem.