O novo sexo feminino


19/12/2009

Já temos quatro décadas de Revolução Sexual, tanto na revisão científica e moral da sexualidade, quanto nas mobilizações para a equivalência dos gêneros. Progredimos muito, mas também exageramos e nos equivocamos bastante. Modismos surgem, alguns com consistência efetiva e capacidade de atrair muita gente, outros não contagiam mais do que pequenos grupos.

As pressões da ditadura da beleza são maiores sobre as mulheres, de modo que essa vulnerabilidade feminina, em especial das mais jovens e das mais maduras, não pode ser descuidada. Reflitamos sobre algumas novidades ligadas à sexualidade feminina.

Em primeiro lugar, vejamos as pulseiras de plástico colorido que as adolescentes procuram e usam freneticamente. Elas têm sido muito divulgadas pela mídia (foi matéria do Correio do domingo passado), são muito baratas, representam moda internacionalmente difundida, originárias da Inglaterra, desde 2003. O aspecto que agora chama a atenção é que, para alguns jovens, podem representar um código sexual.

Nessas turmas, as garotas usam os acessórios para provocar os meninos e participar do jogo erótico chamado snap. Cada cor anuncia um grau de intimidade. Se o menino quebrar determinada pulseira da menina com a mão, ele passa a ter direito ao que a cor subentende. Há variações regionais, os matizes oscilando da intimidade leve (pulseira amarela significa abraço) até a relação sexual completa (a da cor preta).

Aqui no Brasil, um pacote de dez unidades pode custar apenas R$1,00! A moda pegou pelo preço, sem dúvida, mas devemos realçar os traços perversos dessa brincadeira que podem desvalorizar a mulher em plena adolescência, reduzindo-a e predestinando-a a mero objeto de exploração vil e vulgar.

O segundo ponto é ligado às imagens, o padrão de beleza feminino que se uniformizou em massa. Com os trabalhos de exposição modificados pelo sistema Photoshop, observam-se as figuras e suas cópias, quase todas iguais. Essa caracterização ilusória e absurda provoca, felizmente, algumas reações das próprias mulheres. Em setembro passado, a deputada francesa Valérie Boyer, argumentando que a popularização do recurso cria referências de beleza e estética inatingíveis no mundo real, apresentou ao parlamento de seu país um interessante projeto de lei. Jornais, revistas e sites seriam obrigados a identificar imagens trabalhadas com a frase: “Esta imagem foi modificada digitalmente e pode não corresponder à realidade”.

Iniciativas semelhantes são essenciais em todos os locais e nações, como temos sugerido a criação da top madam ou top lady. Ou seja, nos desfiles de moda, a contratação de uma cota mínima de 20% de modelos com idade maior de 45 anos.

O terceiro lance é o da falta de prazer sexual na mulher, problema que atinge 54% das brasileiras, segundo estimativas do ProSex da USP. Essa maioria aguarda o “viagra feminino”. Agora, já está em fase final de testes o flibanserin, produto a ser lançado pelo laboratório alemão Boehringer Ingelheim. Parece que essa nova pílula aumenta a libido feminina agindo como modulador dos neurotransmissores cerebrais.

Como também aconteceu com o sildenafil (era pesquisado com vasodilatador e passou a ser a mais revolucionária medicação para o homem), o flibanserin foi estudado inicialmente como antidepressivo e promete alcançar a mesma equivalência erótica para a mulher.

Sem entrar em abusos e dependências medicamentosas, temos um panorama muito confortável e sugestivo pela frente. A igualdade dos sexos se confirma no plano farmacológico e muitas mulheres com grandes dificuldades em se excitar poderão experenciar o prazer e sentir o orgasmo.

Estarei em férias nas próximas semanas. Aos leitores e amigos, um final de temporada festivo e muitas realizações e gratificações amorosas para 2010! Até 16 de janeiro.

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