O Grupo de Estudos sobre o Amor (G. E. A. - interaja no site: www.blove.med.br) já teve a grata satisfação de receber o juiz de Direito e também articulista do Correio, Fábio de Toledo. Foi quando ele revelou uma personalidade admirável no seu exemplo conjugal e familiar. Como pai e marido, é pessoa de raro talento, caráter excepcional de retidão e devotamento. Sua palestra foi iluminada lição de amor no âmbito da moral romântica.
O seu texto mais recente (segunda-feira passada), bem escrito e ponderado sobre afeto, sexo e fidelidade, também esteve excelente, mas eu gostaria de repensar alguns aspectos.
O artigo se inicia no levantamento que pesquisadoras da Universidade Estadual de Oklahoma desenvolveram sobre homens comprometidos que atraem entrevistadas descompromissadas (essa pesquisa foi tema recorrente na mídia, ultimamente - escrevi sobre ela em setembro). O autor prossegue: “... com sinceridade e coragem, concluiremos que é de certa forma inevitável que homens e mulheres sintam atração uns pelos outros, sejam ou não comprometidos... a aliança no dedo pode mesmo ser um atrativo a mais... fundamental não é esse sentimento inicial. O que importa é a atitude que tomaremos após esse impulso, quando a nossa inteligência tomar conta da situação”.
Verdadeiramente, à medida em que a inteligência assume a decisão, os humanos nos controlamos mais, escolhemos melhor. A comparação que o articulista faz com um poodle desenfreado também é pertinente, pois o animal não racionaliza como nós. Também a sequência que integra a sexualidade à natureza e apresenta o amor como necessidade natural dos seres humanos é indiscutível.
Agora, ao dizer: “quando se dissocia o sexo do amor e da afetividade, coloca-se esse ato humano, em si sublime e belo, abaixo do acasalamento praticado pelos animais”, temos que rever certos pontos.
O sexo casual dos pares que não se amam ou que se amam muito pouco não pode ser imaginado como uma vivência animalesca ou sub-animal. Não amar não impede os pares adultos de se protegerem com o preservativo, nem de assumirem uma atitude responsável, racional e coerente de intercambiar prazer erótico consensual. Amar muito pouco equivaleria a trocarem mais precauções: não se iludirem, não sugerindo a possibilidade de vínculo ou compromisso (“camisinha” para o coração).
O artigo é finalizado com o relato de um professor universitário assediado por uma aluna: “todas as meninas da classe acham que o senhor é o professor mais charmoso que nós temos. A resposta: ‘Eu agradeço o elogio,... diga a quem pensa isso de mim que eu estou casado há dezessete anos e que, depois desses anos todos, posso dizer que amo minha esposa... mais do que a amava quando, diante do altar, prometi a ela que esse amor seria para sempre... todas as noites, beijo meus filhos... e minha esposa enquanto renovo em voz baixa a mesma promessa: meu amor, é para sempre, para sempre...”.
A beleza do gesto é encantadora, o apelo romântico é inebriante e delicioso, a fidelidade assim demonstrada é de grande força moral e artística, associa uma excelsa graça estética a uma inexorável virtude ética.
Porém, o amor é um conceito dinâmico e modificável.
O sociólogo Anthony Giddens propõe uma noção que contesta o preceito romântico: o amor confluente. A importância da pessoa amada, a valorização do ego de quem é unica e exclusivamente amado para sempre perfazem a tradição romântica. Nesta nova referência, o importante é o relacionamento e não as pessoas. Se os pares estão confluentes, empenham-se de corpo e alma na relação; quando não, podem dedicar-se a outras escolhas.
Se alguém quiser, no entanto, inspirada e espontaneamente, não submetido à regra moral, oferecer exclusividade, ser exemplarmente fiel a seu par, faça a escolha. Ela pode ser ainda mais romântica do que a tradicional.
1. Patricia Amoretti
04/11/2009
Parabéns, gostei muito do seu artigo. Patrícia Nutricionista de Caxias do Sul