Já se contam mais de trinta anos de Revolução Sexual. Quase terminando a primeira década do século 21, o sexo é praticado com um conhecimento e uma liberdade sem precedentes na história da humanidade. Na coluna deste sábado, quero apresentar aos leitores alguns dados estatísticos que sintetizam um panorama geral dos comportamentos e problemas da sexualidade atual.
Mais informação sobre o tema implica reconhecer problemas e inquietações. As DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) também são detectadas em escala inédita. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas correspondem a mais de 30 infecções curáveis provocadas por vírus, bactérias e protozoários. Por ano, são contabilizados 340 milhões de novos casos de sífilis, gonorreia, clamidíase e tricomoníase, nos adultos entre 15 e 49 anos. A Aids atinge 33 milhões de pessoas no planeta, sendo a maioria (22,5%) na África subsaariana e a minoria na Oceania (0,026%).
A própria OMS indica que há poucas estatísticas mundiais sobre vários aspectos da sexualidade. Não se sabe, por exemplo, qual a posição sexual que os parceiros mais praticam, mesmo com a impressão de que todo mundo faz a tradicional “papai-mamãe”.
A maior pesquisa sobre o assunto foi feita pela fabricante de preservativos Durex, há quatro anos. No Brasil, o principal levantamento foi conduzido no ano passado pela sexóloga Carmita Abdo, da USP. Dos dados obtidos com mais de 8 mil entrevistados, alguns resultados foram surpreendentes: os brasileiros mais pensam do que fazem sexo. Por semana, enquanto transam 3 vezes em média, sonham com mais de 6 relações. Fazem mais sexo do que a média do mundo, mas variam menos de parceria.
O número de parceiros ao longo da vida tem a média mundial de 9; na Turquia, o polo máximo: mais de 14, e o mínimo na Índia: 3. No Brasil, os cariocas são os que contam mais namoradas (4,3), e as meninas de Porto Alegre são as que tiveram mais parceiros (2,4). A frequência anual de sexo tem a média de 103. A maior do mundo é da Grécia: 138; a menor é do Japão: 45. Os brasileiros de Belo Horizonte chegariam a 190, e as mulheres de Manaus, a 140.
A iniciação feminina com defloramento ocorre entre 15 e 16 anos, na média mundial. As brasileiras mais precoces são de Manaus: 16 anos; no outro polo, as mineiras: 19.
Entre as práticas recorrentes, a pornografia interessa a 41% dos parceiros no mundo. O maior interesse é o da Tailândia: 62%; o menor é o da Itália: 21%. O sexo no carro envolve a média mundial de 50%, destacadamente na Itália (82%), pouco no Vietnã (5%). O sexo anal acontece em 35% dos parceiros mundiais, bem comum no Chile (75%) e raro em Taiwan: 1%.
A homossexualidade é reconhecida tradicionalmente como envolvendo 10% das pessoas na Terra. No Brasil, 4,9% das mulheres e 7,8% dos homens declararam-se homossexuais. O número de bissexuais é 1,4% de mulheres e 2,6% de homens.
Apesar de todos os esforços e campanhas de prevenção, o uso do preservativo fica na média mundial de 53% dos parceiros. No Brasil, 32% sempre usam camisinha nas relações sexuais. Os mais prevenidos são as mulheres de Manaus (40%) e os homens de Cuiabá (38,3%).
As diferenças de gênero são alvos frequentes nas enquetes e matérias da mídia. A última que surgiu no Reino Unido, através do jornal Daily Mail, despertou muita curiosidade, bem como revelou algo sobre os homens que não surpreendeu muito as mulheres: eles mentem pelo menos 6 vezes por dia, e expressam o dobro de mentiras do que elas... Mas os sexos e suas respectivas enganações ficam para um próximo artigo.