A data de hoje já tem tradição como o Dia do Solteiro. Não se sabe da escolha, quais as razões que associariam o 15 de agosto com esse grupo social, mas já se torna uma referência conhecida e divulgada. Demonstra ainda que a sociedade de hoje está muito mais tolerante ao solteirismo.
Procurei investigar, não consegui conexão que bem explicasse essa eleição. Em 1939, há 70 anos, deu-se a estreia do filme O Mágico de Oz (será que Dorothy supera o arco-íris do casamento?). Há 40, em 1969, temos o início do legendário festival de Woodstock (o amor seria livre e sem compromissos?). Meu primogênito, Ricardo (publicitário), inspira-se: “Vai ver que é isso: a data não casa com nada!”...
Dizem que é a ocasião em que os que não celebraram o 12 de junho vão à desforra, depois de amargar falta de companhia na noite dos namorados.
Levantamentos atuais mostram que o número de solteiros aumenta em todo o mundo. À medida que as mulheres dedicaram-se mais às carreiras profissionais - isso já tem cerca de meio século -, tornaram-se menos disponíveis para investir no casamento e na maternidade.
Mesmo com as expectativas românticas rondando o panorama da juventude feminina (as garotas da adolescência atual nutrem sonhos de casamento e família), isso não se sustenta à medida que a mulher entra na idade adulta.
Hoje, para casar, a mulher teria que abrir mão de muitas regalias que vem descobrindo na trajetória individual: o conforto da casa de seus pais, as opções de fazer da vida o que quiser, a tranquilidade de não ter dependentes, a diversidade das companhias, das amizades e mesmo a eventualidade rítmica de parceria sexual.
Tudo isso, porém, não a exime da motivação íntima de ter um companheiro e filhos.
Uma moça de 29 anos que esteve casada por dois, sem filhos, e a sua irmã solteira de 32 são bem sucedidas profissionalmente. Como a caçula já experimentou o casamento, está agora curtindo o solteirismo sem nenhum anseio de namorar, enquanto a mais velha não entra no mesmo clima, apavorando-se com a possibilidade de jamais casar.
A exigência sociocultural diminuiu bastante, mas no âmago da alma feminina permanece a aspiração conjugal e maternal.
Os homens tentam se adaptar à nova maré, ora empenhados em prover a pândega dos solteiros, ora em harmonizar seus próprios sonhos conjugais e paternais.
Sergio Savian sugere que há pessoas com talento para casar e outras que necessitam ser trabalhadas para aprender, mas que há chances para todas.
Em pleno século 21, as mudanças não podem se restringir aos indivíduos, englobam as instituições. Relações chatas, possessivas, com muito controle e exigência, em que os pares fundem suas personalidades, não mais se sustentam.
Flávio Gikovate comenta que os relacionamentos que não respeitam a individualidade estão condenados a desaparecer. No Brasil, o número de divórcios já é maior que o de casamentos no ano.
Atualmente, homens e mulheres consideram que podem ficar sozinhos para sempre. Também avaliam aguardar o momento em que viessem a encontrar um perfil afinado, alguém parecido no caráter e nos interesses pessoais.
Claudya Toledo, em seu livro Eles são simples, Elas são complexas, procura conciliar essas tendências no exercício de cupido profissional.
Ocorrendo as afinidades, os pares terão prazer em estar juntos em um número grande de situações. Nesse novo cenário, em que há confluência de motivações e respeito pelas diferenças, a individualidade é preservada e a conjugalidade é favorecida.
Hoje, o mundo está compatível com qualquer decisão. Quem preferir permanecer solteiro, pode se viabilizar. Quem pretende uma companhia deve lembrar que, paradoxalmente, está mais preparado para o casamento quem estiver pronto para o divórcio.
1. Professor Washington Beraldo
20/08/2009
Ser solteiro (a) no século 21 pode ser por opção, devido ao não planejamento ou falta de prioridade. Ter a opção de ficar sózinho deve ser sempre uma decisão onde todos os que convivem com essa pessoa devem respitar. Agora é comum também que as dificuldades da vida nos faça deixar algumas experiencias ou adiá-las contudo sempre há tempo de amar, dividir um espaço com o outro. E alguns "erros" podem ser revistos e com isso um a nova chance passamos a ter.