Amar: iludir ou esclarecer?


06/06/2009

O texto de hoje sintetiza as palestras que apresentei em Santos na quinta-feira e ontem em Sorocaba, na sequência do módulo “A Crise e a Atualização das Relações Amorosas” do Café Filosófico da “CPFLCultura”, e será o tema do encontro do GEA (Grupo de Estudos sobre o Amor) de segunda-feira próxima (detalhes no site indicado abaixo).

Desde o início da trajetória de um casal, a relação está sujeita a diversos aspectos de esclarecimentos, revelações ou mistérios e omissões, da maquiagem leve à grande máscara.

Pares que se conhecem pela internet lidam muitas vezes com identidades fictícias, fotos emprestadas de amigos esteticamente melhores, salários quiméricos. Mesmo quando se conhecem em ambiente real, muitos enfrentam interessados que se apresentam com estilos hipócritas e impostados.

No entanto, já temos internet popularizada há mais de uma década no Brasil, o que permite aos internautas que se defendam mais e melhor. Eles já estão habilitados a contornar essas enganações, tanto é que procuram não manter longa interação pelo universo virtual, programando logo uma conversa ao vivo, colocando as pessoas interessadas na vivência da realidade.

As mulheres, de modo geral, expressam mais suas emoções e dúvidas, e esperam dos companheiros que eles também se abram. Os homens, usualmente mais reprimidos em seus hesitações e afetos, economizam as revelações.

Mas os critérios de esconder verdades ou promover desvarios podem ocorrer pelas expectativas dos dois envolvidos. Uma jovem de 19 anos insiste em dizer que prefere ser iludida ao invés de conhecer a realidade em suas baladas de fim de semana. Quando topa “ficar” com algum garoto, é porque acredita que ele a engana. Isto é: ela quer ouvir que ele não se limitará àquela ocasião íntima, que ligará para ela no dia seguinte, que estará interessado em namorar com ela. Tudo isso para que não a valorize pouco, não a veja como “ficante de uma noite”, mesmo que, no fundo, ambos estejam pensando exatamente isso...

A passagem do namoro para um relacionamento mais comprometido, estável, envolverá necessariamente uma nova intimidade do casal. Cada par terá que conhecer um pouco mais dos problemas e anseios do outro.

Ao longo da convivência, conforme o gênero, o caráter e o perfil dos pares, de modo consciente e inconsciente, aberturas e represamentos afetivos decorrerão entre eles. Nas fases críticas, diante de circunstâncias difíceis ou traumáticas, essas características vão despontar mais intensamente.

A estabilidade conjugal favorece a criação do núcleo familiar. A organização da família mobilizará mais pessoas, aumentando as chances de crises.

Um homem que se considera bem casado sente, no seu trabalho, que paira sobre si uma ameaça séria de demissão. Ele pode partilhar a dúvida com a mulher, até com um filho maior, ou segurar internamente o temor infernal do desemprego.

A mãe, preocupada com o filho adolescente, não quer que ele conviva com uma irmã dela que consome drogas. O jovem gosta da tia e esta aparece assiduamente na família. Para que não permaneça muito tempo ali, a dona da casa dá-lhe uma quantia em dinheiro escondida do marido, pois esse acha que a cunhada só gasta com o vício.

A noiva programa seu casamento animadamente, mas vive um conflito moral porque sente forte desejo sexual por um colega de trabalho.

É difícil decidir em todos os exemplos. Mas quem se dedica a exercer o amor mais como fonte do que como foco afetivo, importando-se mais em amar do que ser amado, tende a escolher os caminhos do esclarecimento. O amor evolui com a verdade.

2 Comentário(s) desse artigo

1. Sônia Ferreira
11/06/2009

Primeiramente, queo parabenizá-lo por essa iniciativa de abrir discussões de um tema tão complexo " O amor", lendo o seu artigo Amar: Iludir ou esclarecer?, no que se refere ao parágrafo..........."AS mulheres de modo geral, se expressam mais suas emoções e dúvidas.......... enquanto que os homens são mais reprimidos. Fui assistir o filme "Ele não estáa fim de você",nocinema e saí de lá pensando em sugerir àvocê a assistir o filme e fazer comentários em sua coluna, pois é muito discutível os temas ali tratados e mais ainda os comportamentos de todos envolvidos na trama( dia 17 estará nas locadoras).Ficarei muito feliz em ler os seus comentários sobre o filme.Espero que você aceite e dirvita-se com o filme, juro que vale a pena.....Um abraço.Sônia Ferreira

2. noelia
18/06/2009

Achei o artigo muito enteressante,poi so casada ha 26anos e no ano passado descubrir que o meu querido marido tinha um caso com uma colega de trabalho a vários anos. Ja naõ sei mais como agir com ele pois nutrinha com ela uma relaçaõ de anos .Estou completamente perdida,que eu faço me oriente por favor. um grande abraço....

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