A partir desta semana até o final de junho, apresentamos em Santos e Sorocaba um módulo criado para o Café Filosófico da CPFL - cultura, braço de conhecimento e arte confirmado como um dos mais fecundos projetos culturais criados por empresa privada no Brasil. A CPFL cultiva parcerias que conseguem atravessar a “difícil ponte entre a academia e o mercado”, diz Clóvis de Barros Filho.
Para a sequência iniciada quinta-feira em Santos e ontem em Sorocaba, desenvolvemos A crise e a atualização das relações amorosas.
Casais globalizados dispõem das sabedorias do Ocidente e Oriente para suportar oscilações e percalços. Mesmo assim, há momentos em que o estresse parece demandar mais do que se pode combater, ou estimar apenas uma saída mágica.
Um problema difícil prossegue ameaçador à medida que não tem solução. A ambiguidade sustenta o clima sombrio. Por vezes, é melhor um resultado frustrante do que a indefinição.
A crise atual perturba as pessoas em geral e nem há um consenso sobre suas causas. Sua essência projeta-se como um fato econômico. Ou seria financeiro? Só os efeitos são claros: o sofrimento é generalizado. E como repercutiria nos vínculos e relacionamentos afetivos e eróticos?
As relações amorosas são instáveis e sensíveis. Os pares tentam garantir o sexo seguro em oportunidade frugal. E, nos vínculos estáveis, anseiam pelo compromisso, algo que formalize a união, o certificado do casamento, o pacto de fidelidade. Mas a dinâmica de hoje tem solicitado mais resiliência da individualidade do que do casal.
Os quatro encontros do Café debaterão o conforto das idealizações, o impacto das verdades, a objeção aos instintos, a natureza concreta dos sentimentos e a abstração dos romances.
No primeiro, o psicólogo Oswaldo Rodrigues Jr. tratará de A crise e a (re)pulsão sexual e amorosa. Muitas vezes, homens e mulheres fazem o que chamam de sexo sem que se faça sexo. Isto é parte dos comportamentos sexuais diferentes quando as ansiedades crescem. Ao longo do tempo, ajustando-se à ansiedade crônica, surgem preferências alternativas. Nas crises, exacerbam-se e revelam-se, desde o sexo compulsivo até a convivência assexuada com afetos e amor, sem sexo genital, em prática de castidade. Casais assexuados viviam antes em duas condições: com respaldo religioso ou isolados em culpa. Atualmente, na internet, formam comunidades: surge uma subcultura assexuada como meio de conviver num mundo com crises contínuas.
No segundo, apresentaremos Amar: iludir ou esclarecer? Crises exaltam incertezas. Os pares hesitam entre esforços e dúvidas, poupando-se dos dramas, evitando frustrações. Adiar a má notícia, omitir a ameaça de desemprego? Confessar o desejo por um terceiro? Revelar o tumor suspeito? É possível escolher a opção que se norteia pelo amor, estimulando os sonhos sem fugir da realidade.
O terceiro encontro, Amor x sexo: a crise da contemporaneidade, terá a psicóloga Ana Cristina Canosa. A crise econômica provoca retração. Para os de perfil tradicional, corte de gastos e aplicações seguras. Os ousados se lançam nos mercados de alto risco. Sabemos que é na desestabilização que os conflitos amorosos aparecem de maneira mais concreta, a fim de conquistar certa elaboração. Em tempos difíceis, há os que guardam o amor e preservam os maneirismos do sexo, outros se lançam em busca de prazeres sexuais enquanto aguardam que um amor venha despertá-los. A antiga dicotomia entre amor e sexo se revela crítica na sociedade contemporânea.
O quarto, As conexões e desconexões do amor, é da neurocientista Suzana Herculano-Houzel. O amor era, até recentemente, terreno exclusivo de poetas, escritores e filósofos, mas a neurociência ganha meios e atrevimento para estudá-lo. O que são amor e paixão no cérebro? Por que amamos e quem amamos? Quanto tempo dura a paixão? Qual é a relação entre amor e sexo? Como os pares se apoiam no estresse? Essas perguntas já têm respostas, muitas vezes surpreendentes.
1. Regina Rocha
06/06/2009
detesto a atual promiscuidade reinante na sociedade. gosto de estabilidade; cansei e tentar entender a diferença entre homens mulheres, e, afinal, namorar etc é muito tabalho para pouco lucro. homem parece valoriar mesmo é beleza com viagra; sou indepedente e realizo minhas necessidades de afeto e atenção com relacionamentos variados, e optei pela castidade, que, afinal, não mata ninguém.