Amor excomungado


21/03/2009

Diante das reações contundentes de várias pessoas esclarecidas, muito bem informadas, de maioria católica, sobre a excomunhão determinada pelo arcebispo de Pernambuco, venho convidar leitores e amigos para uma reflexão.

Lembremos, de imediato, que a nossa cultura judaico-cristã milenar, de tradição patriarcal, que alicerça todos os valores machistas e moralistas, mais os padrões da sociedade falocentrada, é realmente absurda, paradoxal e estúpida em vários aspectos. Um dos mais terríveis equívocos que esse moralismo católico ultrapassado sustenta é a ampla condenação da sexualidade, desde o sexo prosaico, passando pelo hedonismo erótico, até os métodos contraceptivos.

Pensemos a partir dos principais comportamentos censuráveis dos seres humanos, dentro da própria concepção da Igreja. São sete os pecados capitais: avareza, inveja, ira, preguiça, gula, vaidade e, por fim, a luxúria. Suas oposições correspondentes, as virtudes "sagradas" , são, respectivamente: generosidade, caridade, paciência, diligência, temperança, humildade e, enfim, a castidade.

Se as regras religiosas estivessem realmente criando sujeitos dedicados às seis primeiras virtudes, eles seriam generosos, caridosos, pacientes, diligentes, temperantes e humildes. Sem dúvida, estaria tudo muito bem resolvido - o mundo seria um paraíso, nele viveria uma população maravilhosa, exemplo de ética, boa conduta, respeito e ternura!

Por esse prisma, o amor estaria favorecido e predominante, guiando nossas relações e a sociedade.

Esse horizonte edênico envolveria toda a liberdade sexual possível, com prazer erótico e sexual adequado e construtivo, dispensando qualquer tentativa de valorizar a castidade.

Parceiros virtuosos, modelares nas seis qualidades enumeradas, formariam casais ótimos. Desde os pares que se dispusessem a um encontro fugaz, uma transa única, até os que se unissem em relacionamentos longos, todos agiriam com grande cuidado individual e zelo social.

O parceiro eventual não desprezaria os preservativos, não iludiria nem enganaria ninguém. O par de um casal estável aplacaria o ciúme, driblaria a inveja, planejaria a família em comum acordo com o outro, bem como promoveria um futuro aprimorado para os descendentes.

Atendidas as virtudes essenciais, não teríamos que pensar em castidade nem nas defesas religiosas desse desatino. O homem casto não é virtuoso. Salvo nobres exceções, tende a ser doentio e limitado.

A rigor, o que as doutrinas da religião propõem não é castidade, mas castração. E agregada a uma articulação milenar que desfavorece o pênis e contempla o falo.

O único exercício castrador interessante seria o que combatesse o falo e prestigiasse o pênis. Bem aproveitado, iria contra dois referenciais nocivos e contraditórios que perturbam a humanidade como um todo, e o gênero masculino em especial: de um lado, batalharíamos contra o poder perverso, a vileza do machismo discriminatório, da truculência e da violência masculina; de outro, lutaríamos para aliviar a carga de virilidade obsoleta ("potência" sexual) que pesa sobre o pênis.

Enquanto permanecemos pouco virtuosos, temos que lidar com medidas medievalistas que inadvertidamente seguem castrando o pênis, liberando o falo e estreitando o amor.

Há que se enfrentar essa arrogância endeusada de autoridade religiosa que diviniza dores indevidas e castiga crianças e inocentes.

Insistindo na castidade vetusta, a Igreja inibe o pênis como órgão natural, intumescente - reconhecido como ereto quando cheio de sangue -, da sexualidade sadia, virilidade respeitosa e prazer consensual. E apadrinha o falo, o órgão duro - ereto pela presunção da potência -, o representante da instintividade bestial, de virilidade exibicionista, invasora, de potencial perverso para o estupro, sexo inseguro, pedofilia e freguês da prostituição.

Infelizmente, nesse diapasão, vamos excluindo o amor de nossas reservas emocionais e atrasando a possibilidade de nos relacionar com ética e justiça.

2 Comentário(s) desse artigo

1. milena
24/03/2009

os estudiosos da biblia dizem q uma cça de 7 anos já é maliciosa e entende tudo sobre sexo,pois ate um menino foi rei no reino antes de Cristo ?

2. João José Martins Tavares
30/03/2009

A polemica foi criada e hoje, 28-02, ficou mais escrever sobre o assunto. Volto a manifestar contrariedade em relação ao uso da palavra “erótico” em circunstâncias pouco a ver com seu sinônimo e muito menos com o sentido filosófico riquíssimo que ela encerra. “A rigor, à hora do encontro erótico...” subentendo ser na hora do intercurso sexual. Bouncing, em inglês, será? Ou será no momento das preliminares, ou, ainda, será durante a conversa de um homem com uma mulher ao se encontrarem pela primeira vez e resolverem prolongar o encontro até chegarem a “fazer neném”. Bounce ou fuck dificilmente se traduzirão por make love. Já “fazer neném”, se a mulher e o homem ao se encontrarem, independentemente, cada um passar a viver um tempo intenso e a descobrirem espaços em devires sucessivos até um amálgama físico e intelectual serenos, e despedidas devidamente libertos, assim sim, o ato de fazer neném traduzir-se-á por they did make love, indeed. “Encontro erótico” esconde algo próximo a preconceito, alijar a pila ou a perseguida dum todo, vergonha, apropriação indevida de um termo, imprecisão na idéia passada. Mais, a primeira fase do encontro pode ser muito mais erótica do que a continuidade. Só a parte inicial da conversa pode espoletar o pulsar que lhes sustentará o resto duma vida num só espaço, o espaço do casal. A intumescência aparece só de cheirar, olhar, ouvir. O sentir ou tato, e, o gosto serão os últimos sentidos a contribuir. Via de regra, contribuem mal, anulam devires, fazem variações do mesmo(estímulo físico), rebosteiam em cima dum prazer vazio e vão por ser movido pelo desejo, Aristóteles. Recentemente, ao falar com um aprendiz do Amor, de olhos azuis, ex-bancário como eu, ele contou que frequentemente sentia o falo falar ao abrir arquivos de metal para conferir e arrumar fichas, sem que mulheres próximas em tempo nem no local de trabalho. Talvez alguma, no cio, no turno anterior tivesse estado a arrumar as mesmas gavetas e deixado montes de substâncias hormonais estimulantes aprisionadas ou sassaricando no metal e no papel cartão. Falos, como arte popular, folclore ou fazendo referência a factos também existem aqui. Em Portugal é comum encontra-los em lojas de souvenirs e associados a entrar-pelo-cano. Eles enrabados. Elas acabando por ceder após longa resistência. Machista!? Sim!!!!! Poder do falo!? Lógico!!!!! Sem ele de que servem 500.000 óvulos com que cada mulher vem ao mundo e mais cinquenta criados de menstruação em menstruação. O coito visa a fertilização? Já o prazer, nada tem a ver com boucing, fuck, chinelada, trocar o óleo, intercurso sexual, dar uma, daslu ou mesmo make love. Prazer de homem ao propor-se fazer sexo é sentir o pulo imperceptível duma mulher que gozou um pouquinho, às vezes, até só com três ou quatro cutucadas dum dedo sujo onde o falo fá-lo-á pra procriar. Senti-la tremer. Vê-la deixar-se ficar inerte sem a nada responder, e, aos poucos, vela querendo interagir mal conseguindo fazê-lo. Moral religiosa ou estudo incansável de padres, missionários e quaisquer outros em busca de prazeres verdadeiros, duradouros, devires a fazerem ter cara de rico mesmo sendo pobres, cultivar a beleza e a sabedoria próprias da velhice? Freud ou castração? Freud ou castração é um antagonismo que nunca imaginei ousar. Castração faz-se para engordar bois, carneiros e porcos e tirar da carne o sabor de macho. Logo, pelo publicado dia 28, pode-se concluir que a moral religiosa contribui para o fim do machismo, e, pelo agora dado a conhecer sobre castração, o apelo da carne causa menos dissabores. A castração para amansar é desculpa. Desculpa a encobrir repudio ou tara no sexo da cachorada, uso indevido de animais para libidos torcidas, compensação a tendências anti-sociais, falta de bandeira ou de sustentação para alguma causa. O pobre artista de cinema teve que obedecer ao diretor. Ambos poderiam nem sequer saber amar outra coisa além da glória efêmera. Capitalistas de Hollywood, dificilmente iriam além dum quase estupro ou ejaculação precoce ou ambos, e, ambos pagos em dobro ou triplo conforme a parceira achar que deva cobrar pela falta duma satisfação básica necessária. Esqueceram-se, o artista, a atriz e o diretor que o prazer dele deveria ser o prazer dela. O falo ardendo era tudo que a puritana queria ver só de longe naquele momento. Naquele momento a puritana teria prazer em apenas conversar, a fim de se certificar dum devir qualquer, dum erótico qualquer, dum sinal sobre se o falo ardendo molharia ou ela molhar-se-ia sem que ele se apagasse e continuasse falo. Por fim, quem tem que provar a potência é a companheira. Provar e fazer por provar. Mesmo sem o falo feito, ela pode ter a habilidade de pôr o pingolim lá dentro e aquece-lo. Apelar para o princípio da física, porque a propriedade da dilatação dos corpos expostos a calor é inquestionável. Já, usar camisinha é incongruente com o Amor. O Amor pressupõe ética, entrega total, ausência de questionamentos. O Uso de camisinha favorece o sexo por esporte, vazio e vão, por mais que tanto for. Tanto um homem como uma mulher jamais deverão fazer julgamentos, muito menos a um casto. É como o repórter que disse ser Che ateu, a uma Boliviana, lá onde mataram o herói, uma Boliviana mãe pobre que se alimenta de coca e da crença em deus e em milagres de Che Guevara. O filho, criança duns 12 anos defendeu-a sem transcendências e deixou o mau profissional sem argumentos. Sem argumentos como acontece ao ouvir-se paneleiros e sapatas e suas veleidades, via de regra. A palestra dum homossexual foi a mais pobre em dois anos de GEA. E um profissional instruído!? Me desculpem, mas Freud contribui para se provar ser a boiolice uma doença e agora poder eu defender o papa. Tive a graça de saber como Deleuze ridiculariza a teoria Freudiana sobre alcoólatras serem pessoas tentando sublimar homossexualidade. Ora, por pura lógica, conclui-se: Se tanto Freud é o especialista assim tão conhecedor, e a OMS considera o alcoolismo uma doença, logo, homossexualidade terá também de ser uma doença. A castidade é sim a forma mais segura de se combater a aids. Inquestionável. A castidade é sim a maneira mais erótica de homens interagirem com mulheres. Cruzei bem a bola. Homossexuais deveriam ser obrigados a ler autores marxistas e disseminar o marxismo até que obtivessem o mesmo êxito que têm conseguido por bandeiras sem causa, COM tantos direitos para coisas. Chutei. Caso contrário, cada coisa sem respeito por seu órgão sexual, inclusive hermafroditas sem o órgão predominante respeitado, deverão portar um selo tipo dos obrigatórios em materiais radioativos. Tipo “SEM AMOR”=“RISCO DE VIDA”. Ou “DEVIR AUSENTE”. Ou “REGORGITO DE PSIQê”. Ou ainda “DEFECADO POR EROS”. Me desculpem, mas é inconcebível aceitar tal. Só pode ser fruto do capitalismo consumista a criar mercados. Idem para o divórcio e quaisquer aconselhamentos transpessoais no sentido de separar quem nunca sequer soube conversar. Um Beijo ZiZeck. João Tavares 9134 3688 – Me liguem se acharem que estou tomando muita venlafaxina. Desde Já Obrigado.

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