Homem bom de cama


28/02/2009

Certas mulheres reagirão ironicamente, como se fosse impossível encontrar um parceiro sexual elogiável. Talvez um que dormisse serenamente, sem roncar ou invadir o espaço dela...

Pelo lado masculino, alguns estarão instigados em sua homorrivalidade (competição entre congêneres), alertados para a possibilidade de surgir alguém insuperável...

Qualquer pessoa, independentemente do gênero, ativará sua curiosidade para conferir se há mesmo um padrão a seguir na relação erótica.

No sexo feminino, há um pouco mais de conforto quanto ao desempenho sexual, pois não existe o fantasma da disfunção erétil, nem se sente o estresse das cargas fálicas. O homem comum vive na expectativa de propagar uma imagem de parceiro irrepreensível. E essa propaganda é enganosa, muitas vezes...

Na coluna de hoje, quero questionar esse mito ainda respeitado na sexualidade atual, dentro do contexto da maioria heterossexual. No universo homossexual também há ranços, mas o focalizarei em outro artigo.

A cultura falocentrada e machista segue recheada de valores e hábitos libidinosos que tendem a solicitar do homem a capacidade de monitorar o sexo, para que ele seja competente e irretocável em todos os tópicos, como um grande conhecedor teórico e mestre das práticas.

Em síntese, o homem convencional quer uma massagem menos sexual e mais voltada para o próprio ego. Ele deve:

- ser mais interessado do que a mulher;
- não perder oportunidades;
- tomar iniciativas;
- exibir a anatomia do falo;
- sensibilizar sensualmente a parceira;
- manejar as preliminares;
- impactá-la com o corpo masculino (fazer com que ela preste muita atenção nele);
- induzir a felação, inclusive oferecendo a cunilíngua (ela terá prazer por ter acesso oral ao pênis, ele a excitará para a penetração, sem curtir um prazer importante);
- concentrar-se na área genital;
- manter o pênis ereto o tempo todo;
- valorizar a penetração;
- sugerir posições;
- entusiasmá-la pelo sexo anal;
- proporcionar para ela verdadeiros orgasmos épicos;
- gozar animalescamente
- não a acariciar sem intenção sexual;
- abreviar o tempo de latência;
- interromper a pausa só quando der conta de repetir a dose;
- registrar o número de orgasmos dela e de ejaculações dele;
- esgotar a parceira;
- conseguir que ela o eleja como destaque viril;
- enaltecer a beleza dela como conquista dele (pensando: “cada mulheraço que eu transo”);
- garantir-se na atuação de “ativo”;
- esbanjar segurança;
- não pressupor um homorrival melhor; e
- reafirmar o ego em cada sucesso erótico.

Agora, pensemos em um homem menos influenciado por essas tradições. Ele tenderá a:

- compartilhar mais do que comandar;
- aceitar posturas de “passivo”;
- não se exibir;
- não se motivar pela performance;
- focalizar-se na anatomia da parceira;
- esquecer do pênis, nem reparar na ereção;
- aproveitar os corpos em toda a extensão;
- a massagem é densamente sexual e restrita para o ego;
- praticar a cunilíngua com entusiasmo de explorar uma área de grande concentração de prazer;
- curtir a felação pela conexão de sensibilidades, aproveitando a massagem da boca no genital;
- louvar espontaneamente a beleza dela;
- impactar-se com o corpo feminino (prestar toda atenção na parceira, explorar detalhes, visitar todos os cantos, dos cabelos aos pés);
- senti-la com todos os sensores naturais: olhar, cheirar, lamber, saborear, escutar, tocar, tatear tanto as zonas erógenas quanto outras regiões;
- não incluir a penetração obrigatoriamente;
- não exigir orgasmos dela nem de si;
- se gozar, não significa que a relação acabou;
- acariciá-la independentemente de objetivo sexual; e
- não lidar com quantidade, só com qualidade de orgasmos.

Homens e mulheres devemos assimilar o erotismo como virtude humana que fomenta o prazer, o amor sexual que nos gratifica com o melhor dos enlevos, cada um se entregando ao outro e dele se servindo.

3 Comentário(s) desse artigo

25/03/2009

12/06/2009

bela lição!

3. Carlos Andre dos Santos
07/07/2010

olha esse artigo é muito bm me ajudou bastante agora sei que sou o kara ks

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