Se há um médico com espírito virtuoso, que exerce de maneira modelar os préstimos de bom cuidador e prima por iniciativas de grande comunicador, o exemplo é Drauzio Varella.
Ele pesquisa, lida com quadros de patologia extrema, trata de problemas simples de saúde até pacientes graves, terminais, sempre com muito discernimento e lucidez. Também desenvolve estudos especiais sobre o aproveitamento de vegetações nativas do Norte do País.
Além disso, é respeitado escritor e articulista, bem como excelente didata, desde quando se revelou dando aulas de Química em cursinho (pude assistir a algumas de suas aulas). Atualmente, aparece em redes nacionais de mídia ensinando brilhantemente os leigos sobre temas diversos, desde os mais prosaicos até os enredos mais complexos da medicina.
Mas nem todo esforço comunicativo passa o recado de modo útil e construtivo. Muitas vezes, isso depende mais da interpretação de quem recebe a mensagem.
O objetivo elaborado pelo autor pode ser muitas vezes interpretado equivocadamente. Essa armadilha tem acompanhado uma frase que corre pela internet. O nosso focalizado escreveu: “No mundo atual, está se investindo cinco vezes mais em remédios para a virilidade masculina e silicone para as mulheres do que na cura do mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos teremos velhas de seios grandes e velhos de pinto duro, mas que não se lembrarão para que servem”.
A observação é excelente, o recado deveria ser aproveitado no seu melhor sentido, ou seja: além de esticar a fruição da sexualidade, promovendo entusiasmo pela vida e prazer para as pessoas maduras, devemos investir muito nas doenças degenerativas que estragam a maturidade e a senilidade.
Mas os moralistas de plantão, outros ideólogos de seitas radicais e pessoas com pouca escolaridade ou determinada limitação cultural, estão se servindo do texto para seus próprios interesses, reciclando posturas de censura ao prazer carnal e ao aproveitamento erótico do corpo.
Realcemos alguns aspectos para discriminar o joio do trigo, na sexualidade feminina e masculina.
A ditadura da beleza estressa as mulheres, sem dúvida. Há aquelas que escorregam para o exagero, recorrendo para a prótese mamária e outras técnicas plásticas sem muito critério, apenas cultuando o belo. Mas o impacto psicológico que uma boa intervenção estética causa na personalidade e no psiquismo da mulher é vigoroso, restaurando muito da sua autoestima e expandindo sua capacidade erótica. Para a mais madura, descontando as apelações e absurdos, o resultado pode ser maravilhoso.
O recurso de medicar um homem para o sexo é tema recentíssimo na história da medicina. Representava uma expectativa geral, imaginava-se como idealização, pílula dourada, um sonho inalcançável. A realidade científica desmitificou a panaceia e a aperfeiçoou: ela atua de modo natural, respeitando o desejo, induzindo a ereção somente com a influência da excitação sexual.
Todos esses medicamentos, desde o Viagra, passando pelo Cialis, Levitra, Vivanza e Helleva, favorecem o aparecimento e a manutenção fisiológica do pênis ereto desde que se tenha a liberação do óxido nítrico, um gás produzido pelas células diante de estímulos sexuais (físicos ou psicológicos).
Essencialmente, há que se promover saúde, de modo que as pessoas possam fruir a senescência com a mente e o corpo preparados, fisicamente em forma e psicologicamente resilientes. E, à medida do possível, encantando a vida madura de alegria e prazer.
Os problemas serão inevitáveis, as falências ou as doenças também. Mas os dados não assustam tanto: cerca de 7% da população em geral são acometidos pelo mal de Alzheimer. Isso não pode desanimar a maioria que pode contar com uma vida mais longa, saudável e erotizada.