Arma feminista e alma feminina


24/01/2009

A História registra que o feminismo já comemora mais de 160 anos. Ele se originou na convenção dos direitos da mulher em Nova Iorque, no ano de 1848.

As conquistas da Revolução Francesa, quase 60 anos antes, cujo lema é a excelsa trilogia “Igualdade, Liberdade e Fraternidade”, ecoaram em todos os cantos. Também estimularam uma reivindicação das mulheres que se dignificavam como membros da sociedade e se postulavam capazes de compartilhar dos compromissos e dos direitos, na condição de cidadãs.

Uma importante consequência do ativismo feminista foi incrementar a separação conjugal. Nos EUA, já no final do século XIX, registravam-se mais de 50 mil divórcios.

Mesmo que em alguns países persistam resistências em adotá-lo, o divórcio integra-se cada vez mais à sociedade pela abertura da liberdade feminina. No Brasil já está culturalmente assimilado, apesar da história curta (foi estabilizado em 1977): hoje, de cada quatro uniões, uma caminha para a separação.

Houve momentos anteriores da humanidade, como na Idade Média, em que a mulher tinha direitos mais abrangentes. Elas podiam ter acesso à profissão e à propriedade, além de chefiar uma família. Estes espaços mudaram com o advento do capitalismo.

De modo geral, o patriarcado e o machismo estiveram predominando na história ocidental cristã, com maior ou menor variação, ainda resguardando uma supremacia masculina nos diferentes espaços públicos. Nessa ortodoxia, à mulher caberia uma hegemonia no espaço doméstico.

As heterodoxias, mesmo as consideradas fracassadas, se não rompem o contexto na primeira tentativa, pelo menos anunciam um novo horizonte. As mulheres passaram a acreditar que os direitos sociais e políticos adquiridos a partir dessas iniciativas transformadoras deveriam se estender a elas.

Os movimentos feministas são, sobretudo, atividades políticas para alcançar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, garantindo a participação da mulher na sociedade de forma equivalente à dos homens. Teórica e intelectualmente, procuram derrubar a idéia de que há diferenças entre os gêneros.

Na prática, sabemos que determinadas virtudes e defeitos das pessoas podem se concentrar mais em um sexo do que em outro. Há atributos dos homens e das mulheres que se afinam harmonicamente em cada gênero respectivamente.

Mas todo esforço humano é imperfeito e os que provocam transformações costumam pecar pelo exagero.

A luta dos movimentos feministas não se esgota na equalização das condições de trabalho entre homens e mulheres. Quer modificar a concepção de que a mulher é mais “frágil” que o homem, debatendo também as raízes culturais da desigualdade entre os sexos.

Na década de 60, o livro O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, influenciou o feminismo mostrando que a hierarquização dos sexos é elaboração social e não constituição biológica. Ou seja, a condição da mulher seria um construto patriarcal.

Opondo-se às normas hegemônicas masculinas, e nem sempre conseguindo informar devidamente sobre os objetivos do movimento, o feminismo se deprecia. Alguns acreditam que as mulheres pregam o ódio contra os homens ou tentam vê-los como inferiores. E podem até ser interpretadas como destruidoras dos papéis tradicionais na família.

As feministas afirmam que não se empenham em destruir a família, mas não aceitam a concepção vetusta que sustenta: “lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos”... Elas querem superar a dominação masculina e a estrutura patriarcal para garantir a igualdade de direitos sem assumir o espaço dos homens.

O arsenal feminista ainda tem muita coisa a enfrentar. Só não pode cometer o desserviço de comprometer a competência amorosa do espírito feminino. O vigor afetivo da mulher precisa ser preservado e estimulado.

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