Amar x amor


17/01/2009

Hoje voltamos à coluna, retomando nossa convivência semanal. Vamos compartilhar nova temporada de reflexões abertas e flexíveis sobre o erotismo e o afeto, com especial atenção aos (des)vínculos amorosos.

Agradeço a fidelidade, a amizade e o espírito crítico dos leitores que me acompanham nos sábados, há nove anos. E reitero o meu desejo de estudar, divulgar e praticar amor em escala progressivamente maior.

Estreamos 2009 com um panorama internacional em ambiguidade - a equipe do mais importante líder político do mundo, o novo presidente norte-americano, prepara uma reciclagem democrática, seguindo suas inspirações de reformular alguns aspectos do capitalismo, mas o poder econômico convencional resiste, o mercado predatório prefere os privilégios da plutocracia.

Essa perspectiva de confrontar vocações elitistas com posições comunitárias é frequentemente realçada pelas instituições internacionais. Nas crises que implicam confronto direto, como o que se repete no Oriente Médio, observamos esforços da ONU, da Anistia Internacional e de várias ONGs para retomar a paz.

Toda tentativa nesse sentido humanitário e pacífico é útil, tem uma virtude de grandeza anímica exuberante. Mas é necessário admitir que a nossa carência essencial não é social, política, econômica ou financeira.

Quando observamos com rigor, temos de reconhecer que o mundo prossegue injusto, ainda sensível a paroxismos de guerras, submisso a exageros de mercado, ao sabor dos vagalhões de consumismo obsessivo e toureando os desvios da globalização.

Um mergulho crítico mais profundo faz emergir a enorme desigualdade social, a ridícula distribuição de riquezas, os dramas das faixas etárias limítrofes, o abandono de crianças, o desentendimento com os adolescentes e o mau aproveitamento do conflito de gerações, a incompreensão com os idosos, o erotismo conspurcado, o sexo aviltado pelo moralismo religioso, os conflitos étnicos, os desvios éticos generalizados e a indefectível corrupção de muitos políticos.

Mas nem tudo está irremediavelmente comprometido. Felizmente, temos a arte e a ciência preenchendo algumas das nossas expectativas.

Surgem novas melodias inebriantes, os clássicos são revisitados, a performance cênica empolga em vários roteiros, a literatura prossegue nos livros, apesar da sedução do texto virtual. Antigos e novos pintores nos instigam. Evitando os abusos e a penúria de conteúdo, a obra estética também pode nos satisfazer.

A Grã-Bretanha anula a genética de tumores femininos, mostrando que uma nação mais livre de preconceitos pode controlar formas de câncer. As surpresas tecnológicas menos contaminadas pelo capitalismo selvagem conseguem nos embevecer, apesar da rotina contrária.

A vida segue, nossa trajetória é irreversível. Temos que trabalhar, ganhar dinheiro para viver, aprender, construir. Também podemos adquirir riquezas, desenvolver prosperidade material. Por que não conseguimos fazer isso de modo equilibrado, globalmente mais justo, por que escorregamos nesses absurdos da iniqüidade?

Porque não conseguimos exercer generalizadamente o amor. Discorremos sobre o nosso mais nobre sentimento com retórica e beleza poética. A carência amorosa é lembrada, solicitada, apontada como solução de nossos males e fraquezas, mas não é praticada.

As pessoas de espírito amoroso fluente desempenham todos os papéis vitais com facilidade, não se envolvem em lutas sanguinárias nem se deixam conduzir por rivalidades invejosas, ciumentas ou avarentas. Porém, elas são uma minoria - tomara que possam ensinar a maioria insuficiente.

Sentimos o amor, sabemos de sua importância fundamental e decisiva, mas nos falta amar.

A tendência comum é indagar sobre a insuficiência de ser amado, mas a real carência está em amar!

A deliciosa canção dos Beatles: All you need is love (Tudo o que você precisa é amor) poderia ser imaginada como All you need is loving (Tudo o que você precisa é amar).

2 Comentário(s) desse artigo

1. Phany
14/02/2009

gostaria de saber pq oque eu faço de madrugada e nao lembro depois eu deixo um sinal do que fiz em algum objeto ou foto ou brinquedo ,ex meu filho tem bonecos e o maior sou eu ,o outro boneco em miniatura q tenho igual ao gde seria meu filho ,as vezes eu ponho o gde cuidando do pequeno,mas qdo estou brava com ele ,eu coloco os 2 separados,todas as noites eu mexo nos brinquedos representando oq sinto,tenho uma planta com 2 flores gdes e uma pqna q comprei para meu marido,qdo magoo meu filho faço uma marca na flor pequena e assim no outro dia sei oq aconteceu pelos sinais deixados mas esqueço q fiz tudo isso e nego

2. Carlito F Silva
17/02/2009

O Canto paulino do Amor Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos Anjos, Se não tiver Amor, Sou como um bronze que ressoa, Ou como um címbalo que tine. Ainda que eu tenha o dom da profecia E conheça todos os mistérios e toda a ciência, Ainda que possua a Fé em plenitude, Ao ponto de transportar montanhas, Se não tiver Amor, Nada sou. Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas E entregue o meu corpo a fim de ser queimado, Se não tiver Amor, De nada me aproveita. O Amor é paciente, O amor é benigno, Não é invejoso. O Amor não se envaidece, Não se ensoberbece, Não é inconveniente, Não procura o seu interesse, Não se irrita, Não suspeita mal, Não se alegra com a injustiça, Mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, Tudo crê, Tudo espera, Tudo suporta. O Amor nunca acabará. (1 Cor 13, 1-8)

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