Um dos mais controversos mistérios que se prolongam na sexualidade humana é o desejo da mulher. Tanto nos bloqueios quanto nos excessos, o panorama tende ao imbróglio, não sendo devidamente debatido nem trabalhado.
Enquanto permanecemos no âmbito da objetividade de causa e efeito, com dados numéricos e concretos, até que não criamos ambivalências. Mas quando entramos na subjetividade e começam as impressões abstratas do tema, a controvérsia se estende. Tudo isso sem falar no homoerotismo.
No plano médico, é essencial que a mulher aproveite a visita ao ginecologista, endocrinologista ou o clínico geral, e comente concretamente o problema. E que fale nele logo no início da consulta (há muitas mulheres que só falam do desejo sexual à hora do exame ginecológico, ou rigorosamente quando está se despedindo!).
Alterações hormonais, fases do ciclo menstrual, rituais de passagem e etapas evolutivas (defloramento, casamento, gravidez, climatério), possibilidade de doenças neurológicas ou endócrinas e outros quadros são detectáveis à avaliação médica bem informada.
Um esmerado estudo hormonal deve ser providenciado, pois há que se apurarem inclusive as taxas de testosterona (o hormônio essencialmente masculino), pois ele é decisivo para a libido.
Também o uso de certos fármacos pode intervir (curiosamente, os antidepressivos são um exemplo, embora a própria depressão afete o desejo), no custo-benefício com esse efeito colateral. Ainda assim, estaríamos diante de um fator determinado, objetivo.
O horizonte se nubla à medida que vamos incluindo os aspectos emocionais, a abstração romântica, a expectativa sentimental. As conexões do relacionamento, a vontade e a decisão de intimidade com a pessoa, a proximidade e a perspectiva de continuidade com o parceiro, a definição de um compromisso, tudo isso vai embolando o roteiro.
Diante do decantado sexo casual, o modismo das relações superficiais, temos outra complexa circunstância, pois muitas mulheres se contradizem, querendo o sexo seguro, mas não exigindo que o parceiro use o preservativo. Receber genitalmente o parceiro sem segurança pode estragar o prazer do início ao fim da intimidade.
Os ranços moralistas e machistas que ainda rondam o erotismo ocidental pressionam as mulheres para que renunciem ao sexo e ao prazer.
No plano do moralismo, devem renunciar ao sexo porque ele continua um pecado. Na ordem do machismo, porque o prazer é condão masculino.
Valores morais e sexistas estão em processo de readaptação, mas há setores religiosos dogmáticos e reacionários que não abrem mão dos padrões convencionais.
Por outro lado, também surgem apelos de vanguarda mais contundentes, às vezes invasivos, que torturam a alma feminina.
Entre experimentar uma “boate para casais” que o namorado indicava todo fim-de-semana como o melhor programa e assistir a um DVD em casa, uma moça reservava um filme novo, dizendo que a amiga que trabalhava na locadora conseguia o privilégio. Ficou quase um ano enrolando o namorado, até que confessou o medo, há poucas semanas. Parece que o namorado não mais insistiu.
As mulheres brasileiras realizam cerca de metade das relações sexuais que desejam. Os levantamentos do Prosex da USP indicam essas médias: o desejo aparece pouco mais de 4 vezes por semana, e cerca de 2 relações são realizadas.
Entre o desejo sentido, admitido pela própria pessoa, até o exercício do encontro, vão muitas nuances de trajetória. Desde aquela moça inibida que explora o auto-erotismo, masturbando-se, até a prostituta que nunca teve um orgasmo, tudo pode acontecer...
É essencial que a mulher reconheça seus propósitos e limites, visando à qualidade muito mais do que a quantidade de encontros, sempre considerando que qualquer fêmea pode ter o seu lado voluptuoso.
1. luiz@.com.br
30/12/2008
vc gosta de sexo