Uma moça é informada que aquela amiga casada há anos, mãe prestimosa, filhos em idade escolar, dedicada profissional, premiada no emprego, de repente resolve assumir uma relação homossexual, larga tudo e vai para longe, onde irá viver seu novo mundo lésbico!
O moço conhece aquele colega há décadas, estudaram juntos desde a adolescência, terminaram a faculdade na mesma turma, quantas cervejas tomaram nas sextas, dormiram em albergues durante viagens de carona. Sem ninguém imaginar essa possibilidade, o amigo que sempre namorou várias meninas, parecia bom de cama com elas, nunca sugeriu gestos efeminados, “sai do armário” e declara-se gay!
O impacto dessas informações, apesar das transformações culturais em andamento, ainda é muito significativo, revoluciona profundamente os familiares, as amizades, abala estruturas, relacionamentos e personalidades, incomoda qualquer um que conheça essa pessoa que assume a nova orientação sexual.
Para os pais, o abalo pode ser interpretado como o inverso daquela situação histórica nas famílias que têm um filho adotivo: quando este vem a saber da adoção já adulto, revolta-se profundamente por se sentir enganado desde a infância.
As figuras parentais de um gay que se revela na maioridade também se sentem traídas, em uma confusa ambivalência de valores, culpando-se ao mesmo tempo em que cobram uma responsabilidade do descendente.
Perplexos diante da ação inusitada, os pais concentram habitualmente suas culpas em uma pergunta: “onde foi que erramos?”. Podem passar a vida sem resposta.
A atitude de avisar e/ou apavorar os pais é um fenômeno delicado, muitas vezes oportunista, forma vingativa de agir, de vomitar algumas mágoas e sapos engolidos.
O professor Luiz Mott, antropólogo, etno-historiador, um dos principais líderes homossexuais brasileiros, recomenda em seus textos: “nunca assuma sua homossexualidade como forma de agressão ou vingança”.
Tanto o homossexual quanto a família precisam ser trabalhados emocionalmente, de modo a lidar com seus anseios e medos sem apelar para posturas violentas e destrutivas.
Há uma ong norte-americana, a PFLAG - sigla em inglês (Parents, Families and Friends of Lesbians and Gays) equivalente a “Pais, Familiares e Amigos de Lésbicas e Gays”, fundada em 1972, que procura ajudar as pessoas envolvidas nessa crise.
O slogan da PFLAG é “armário é para roupas, não para nossos meninos”. A ong atua em 400 cidades dos EUA e mais em onze países, contando com cerca de 250 mil membros. E desenvolve ramificações no Brasil.
Para os amigos, temos duas possibilidades principais.
A primeira é a que significa a perda da referência afetiva, a possibilidade de destruir a amizade, como a pessoa agora revelada pudesse conter outras ambigüidades em sua personalidade. “Como continuar amigo de alguém com nova identidade?”, questionavam-se dois amigos que acabavam de saber da assunção de um amigo comum.
A segunda é o estresse que domina aquele que às vezes já se perguntou sobre sua própria bissexualidade, quem pensou em expandir o lado homossexual e dilemas equivalentes. Conforme a interpretação individual dos fatos, muito conflito advirá na mente da pessoa. Há aquela menina que se considera meio homossexual porque tem muito pelo no rosto; há o rapaz que faz questão de namorar com mulheres fugindo de fazer sexo com elas, vive na academia para apreciar os homorrivais sarados, e se acha um grande macho...
Uma dica simples e prática para quem tiver dúvidas quanto à sua bússola sexual: interessam principalmente as fantasias masturbatórias do indivíduo. Se o que ele imagina quando se masturba é predominantemente a companhia do mesmo sexo, é provável que o seu desejo prevalente seja o homoerótico.
1. Alziro Machado
22/11/2008
Excelente matéria. Aproveito para perguntar se existem dados estatísticos confiáveis no Brasil que apontem índices de suicidio entre adoleslentes e jovens homossexuais
2. Alziro Machado
22/11/2008
Excelente matéria. Aproveito para perguntar se existem dados estatísticos confiáveis no Brasil que apontem índices de suicidio entre adoleslentes e jovens homossexuais