Vaginismo e erotização


27/09/2008

Uma ocorrência patológica nem sempre lembrada é o vaginismo: acomete aproximadamente uma em cada 25 mulheres, com alguns casos dramáticos e outros que nem são claramente percebidos.

Trata-se de um distúrbio caracterizado pela contração involuntária dos músculos da vagina, de modo a impedir qualquer possibilidade de penetração, inclusive de equipamento ginecológico.

Investidas e ensaios podem ser muito dolorosos. Todavia, há mulheres que têm as contrações musculares e não sentem dores às tentativas de penetração - talvez por atitudes mais delicadas dos parceiros.

No ato sexual, há diversas causas de dor para as mulheres. Levantamentos recentes indicam fração expressiva: 17% das brasileiras têm dor à relação genital.

Na ordem clínica do vaginismo, há dois tipos a considerar: o primário, que acontece desde as primeiras tentativas de intercurso genital; e o secundário, que ocorre depois de um período de vida sexual normal, como conseqüência de um conflito emocional e/ou problema orgânico.

As tentativas de introduzir objetos, dedos, insistir com o pênis, se não forem bem orientadas, podem piorar o quadro, aumentar o espasmo e a algia.

Muitas mulheres com vaginismo têm libido, não sentem alteração no desejo erótico, ficam bem excitadas nas preliminares. Porém, no momento da penetração, os músculos da vagina começam a se contrair, impedindo a seqüência esperada. Apesar de querer o sexo, a mulher não consegue controlar o encolhimento dos músculos e entra em sofrimento.

Há casais que se adaptam à impossibilidade da penetração. Quando prefere o sexo oral ou a massagem manual no clitóris, a mulher pode se satisfazer e também oferecer alternativa semelhante para o parceiro. No entanto, a grande maioria dos homens se frustra por não conseguir penetrar, o que leva o casal a queixas e incômodos.

Um mito que se espalhou pela cultura ocidental é o de que somente mulheres jovens e que estão iniciando sua vida sexual podem desenvolver o vaginismo. A verdade é que uma mulher pode apresentar vaginismo em qualquer momento de sua vida. A avaliação médica depende, em primeiro plano, da consulta com o ginecologista. Devem ser descartadas chances de alguma causa orgânica, desequilíbrios hormonais, nódulos ou infecções genitais, ou mesmo o uso de medicamentos que diminuem a lubrificação vaginal.

Uma mulher que teve uma doença ginecológica que causava dor durante o sexo, mesmo se curando dessa doença, pode ficar com uma espécie de condicionamento que mantém a dor em suas relações.

O vaginismo é disfunção que tem tratamento. No entanto, até a mulher procurar ajuda, muitos anos de padecimento podem decorrer, inclusive prejudicando sua capacidade reprodutiva.

As principais causas psicológicas que podem provocar e manter o vaginismo estão geralmente ligadas a estupros, educação religiosa severa, litígio moralista, sentimentos de culpa, falta de orgasmos, bloqueios e desconhecimento da relação sexual, raiva e brigas na dinâmica do casal.

A terapia sexual ou psicoterapia que trabalhe a sexualidade, o significado emocional do coito e o comportamento cooperativo são as técnicas que mais ajudam no tratamento.

O parceiro pode ajudar muito, caprichar nas preliminares, aprender a penetração progressiva, tentando cada vez introduzir o pênis um pouquinho mais, não fugindo de usar gel lubrificante.

Há mulheres que desenvolvem grande ansiedade quanto à excitação nas preliminares - elas se cobram se a lubrificação vaginal demorar. Nesse caso, mesmo que pareça contraditório, é preciso começar mais cedo a penetrar progressivamente.

Resta a indefectível questão sentimental: se a mulher ama, a vagina se abre. Em casos de vaginismo, essa não é uma regra facilmente aplicável. Às vezes, braços abertos, coração apaixonado e pernas receptivas não são suficientes - a vagina teima em se fechar.

5 Comentário(s) desse artigo

1. Rosário
03/10/2008

O texto é claro e correto. Explica, minuciosamente, as causas prováveis do vaginismo. No início de um relacionamento, onde a mulher é virgem, pode até entender-se como causa provável do vaginismo a falta de conhecimento sexual, receio, etc...Mas depois, as brigas do casal, desentendimentos sem fim e/ou motivos mais sérios, implicam no DESAMOR... A falta de amor faz com que a mulher se retraia daí advindo a dificuldade e o sofrimento na relação sexual com o parceiro. Mulher mal amada sofre com o vaginismo...Além de sofrer com outras coisinhas mais, concordam comigo, mulheres??? Mulher e sensível não consegue separar amor de sexo...Indispensável sentir-me amada para que esteja relaxada e apta para o ato sexual... MUITO BEM ESCOLHIDO O ARTIGO. PARABÉNS!! Rosário.

2. Rosário....um P.S.-----ok!
04/10/2008

....onde se lê: "...Indispensável sentir-me amada...., deve ser lido: ....Indispensável sentir-se amada....." Grata pela oportunidade. Rosário.

3. Elionete Vieira de MIranda
30/06/2009

Boa Noite!!!! Tenho uma dúvida e quero esclarecer...se possível. Estou pesquisando sobre vaginismo e li em um artigo, que uma das causas poderia ser desequilíbrio hormonal e neste texto diz o contrário...Alguém pode esclarecer esta dúvida?

4. rafaela Abdão
24/08/2009

boa tarde gostaria de saber se exixte algum risco de minha vagina atrofiar por falta de uso, tenho 2 meses sem manter nenhum tipo de relação sexual, eu tenho 28 anos e era casada e tinha uma vida sexual ativa, gostaria de saber se isso é possivel? grata,

5. rafaela Abdão
24/08/2009

boa tarde gostaria de saber se exixte algum risco de minha vagina atrofiar por falta de uso, tenho 2 meses sem manter nenhum tipo de relação sexual, eu tenho 28 anos e era casada e tinha uma vida sexual ativa, gostaria de saber se isso é possivel? grata,

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