Muito se diz a respeito das tendências à individualização que a sociedade atual está cultivando. Nas interações afetivas e sexuais, temos várias condutas que estão na crista da onda atendendo anseios modistas e oportunistas, mas há algumas mudanças revolucionárias, interessantes e construtivas.
Entre os contatos mais fugazes, temos o “ficar” dos adolescentes, o sexo casual, anônimo, encontros efêmeros garantidos pelos preservativos (a camisinha real para o genital e a virtual que “preserva o coração”, que tenta evitar os vínculos).
No pólo das conexões mais duradouras, temos também grande diversidade. Há relações que se sustentam apenas pelos fins de semana, assim como pares virtuais, esposos que constroem suas casas com requinte específico para guardarem a intimidade individualmente, cada um em sua suíte. Uma rigorosa autonomia financeira para cada cônjuge, contas compartilhadas nos restaurantes são hoje pré-requisitos para bom entrosamento do casal.
Muitos desses comportamentos atuais ocorrem, evidentemente, entre pessoas que, apesar da cuidadosa reserva individual, mantêm um relacionamento - e querem que ele seja estável e satisfatório.
Entretanto, ainda existem muitas pessoas solitárias, carecendo a todo custo de alguma oportunidade de se relacionar, seja para um erotismo passageiro e/ou para uma relação de compromisso. Por que elas não conseguem?
De imediato, há a propensão de se inferir que são pessoas que não chegam aos índices médios da maioria, talvez sejam esteticamente aborrecidas, sem atrativos, fracassadas, de baixo nível sócio-econômico.
No entanto, quando se estuda mais profundamente o problema, observamos que, na essência, isso se deve ao perfil psicológico, aos sentimentos e ações dessas pessoas.
No último dia 15, Dia do Solteiro, tive acesso a uma pesquisa sobre o tema que trouxe outras indagações. Cláudya Toledo, que já participou de eventos e palestras no GEA (Grupo de Estudos sobre o Amor), coordenou esse levantamento que resumimos em seguida.
Antes, a ressalva: os solteiros que se sentem solitários, para quem a solidão está realmente pesando, devem refletir sobre esses dados mais como um modo de reciclagem dos seus estilos do que como uma censura.
Repensar as experiências, estender o auto-conhecimento, aumentar a informação sobre o “mercado” de relacionamentos amorosos pode ajudar muito na transformação comportamental e emocional dos solteiros que pretendem mudar de vida. “O importante é poder trabalhar efetivamente no motivo da rejeição de cada um com base na opinião do sexo oposto”, indica a autora.
É interessante observar que as razões apontadas como causas do desinteresse do outro gênero sexual seguem variações sazonais. Essa pesquisa se realiza desde 2004. Comparemos o que ocorreu na primeira e a perspectiva da atualidade.
Há quatro anos, os aspectos que tornavam os homens menos cotados eram: baixa estatura, muitos filhos, cabelos compridos, pouca cultura, barriga proeminente e baixo poder aquisitivo. E os que atrapalhavam as mulheres eram: obesidade, estatura muito alta, muitos filhos, cabelo muito curto, exageros intelectuais, formas pouco femininas, alto poder aquisitivo.
Hoje, complicam-se os homens que funcionam como “filhinhos da mamãe”, que moram com a genitora, os que são dependentes, preguiçosos, fracos. E as mulheres masculinizadas, com excesso de peso, muito críticas, de mau humor, fumantes, “cabeça” (mulheres mentais, que pensam muito no trabalho e são mandonas).
No trabalho clínico individual, observamos alguns detalhes específicos de inibição ou bloqueio que também seguram a pessoa no seu isolamento e nas suas defesas. Timidez, sentimentos de inferioridade, constrangimentos morais e outras dificuldades podem aumentar o problema.
De um modo geral, antes de todos esses fatores variáveis, a sabedoria popular ensina: para amar é indispensável que a pessoa se ame. Qualquer um tem que começar por aí...
1. Cláudya Toledo
30/08/2008
Amado Motta Obrigadissima pela citação , vi hoje porque uma cliente minha falou, me contou mesmo.Eu estava viajando a mil por ai, pra variar...Congratulações e parabens peloo trabalho reconhecido e pelo belo blog namaste Cláudya Toledo
2. Rosário
01/09/2008
Realmente é indispensável que a pessoa se AME muito.... Se interaja consigo mesma.... Não se desespere e nem busque soluções mirabolantes para encontrar o amor... Não há necessidade da beleza física...Muitos não a tem, porém a beleza interior a suplanta....Se bem que hoje em dia há muitos truques de beleza para fazer do feio, bonito, em pouco tempo... A ansiedade na procura de um par ou de amor é que pode prejudicar a solução do problema... Se você está bem com você...Se há sempre em você receptividade e um sorriso nos lábios, o amor aparecerá....CUIDAR-SE (fisicamente) é bom para você, principalmente...Mas sempre pensando em voê, em primeiro lugar...Ao se olhar no espelho você deve dizer, sempre: - me amo, sou linda(o), por dentro e por fora...Quem gostar de mim terá o melhor de mim...Conhecerá, também, meus defeitos e problemas e me amará como sou, independentemente de todo o resto...-Repita isso sempre olhando-se no espelho e no melhor espelho que existe: o de sua alma... Só está "solteiro" ou sozinho, quem quer.... Não existe soluções mirabolantes para esses casos...Existe sim, sua maneira de encarar a vida...Se você a encara com determinação, otimismo e alegria, colherá os frutos...Encontrará facilmente o AMOR...Não sou especialista nessa área... Longe disso.... Sou alguém que já sofreu e ainda sofre por amor. Já fui solteira, já fui casada...Pouco tenho a dizer, mas acrescento: não acredito no "ficar"..Palavra muito usada pelos jovens de hoje...Isso é efêmero...AMOR, para valer, propõe vida longa.....beijos, Rosário.