A confluência do Dia dos Pais, da semana inicial da Olimpíada e da obsessão contemporânea de prazer me inspira a refletir sobre suas conexões.
Um homem em tratamento de disfunção erétil disse-me que a carga fálica do pênis é mesmo insuportável. Se ele não tivesse que lidar com todo o narcisismo, a vaidade que cercam o genital masculino, tudo seria leve e o pênis funcionaria sem pressões ou exigências.
Na intimidade com a namorada, há momentos em que percebe que sua atenção se perde: em vez de prosseguir focado na moça que considera linda, atraente, fica atento à movimentação do próprio genital. Observa se a ereção ocorreu, se o falo está bonito, se a glande sugere vigor, reparando em detalhes de estética e virilidade.
A situação culmina no mais inconveniente anseio, segundo suas palavras: sente grande vontade de exibir o pênis ereto, esperando pela aprovação da parceira e, idealmente, que ela se satisfizesse com isso. Assim, ela se empolgaria em ver o falo, nem precisaria tocá-lo, dispensaria a penetração e gozaria só por admiração, pelo extraordinário impacto visual!
Exagero à parte, o exemplo é muito ilustrativo da tirania dos valores fálicos que controla a sociedade há séculos. Estamos nessa escravidão arraigada, pagando muito caro por isso, em termos afetivos e prazerosos.
A evolução humana não pode atravessar outro milênio sem rever esse panorama. Iniciativas de caráter teórico e centelhas de prática amorosa surgem aleatoriamente para quebrar a hegemonia do poder bárbaro, da violência gratuita, do interesse em prevalecer com arbitrariedade ou abusos, mas são poucas. Devemos incrementá-las.
Há homens e mulheres com espiritualidade afetiva mais desenvolvida, capazes de promover profundas revoluções individuais e coletivas, favorecendo a trajetória do ser amoroso. Isso demanda o indivíduo ético, democrático, justo, livre e não-violento.
Uma das mais importantes é a realização da Olimpíada. Mesmo com algum desvio político, esse evento é capaz de iluminar o espírito de competição solidária. Se competir é indispensável, façamos de modo saudável e construtivo, sempre alertados de que o mínimo descuido vai nos devolver à luta selvagem, à truculência da barbárie.
O pedagogo e historiador francês Pierre de Frédy, mais conhecido quando intitulado Barão de Coubertin, teve a capacidade anímica de reciclar os antigos esportes da Grécia. Apontado como o fundador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, viveu o lampejo amoroso capaz de sublimar nossas tendências agressivas. Isso deve ser repensado sempre que entramos em qualquer atividade esportiva. O jargão olímpico atribuído a ele: "o importante não é ganhar, é competir" tem que ser rememorado insistentemente para não recairmos nas agressões instintivas.
Toda promoção humana não pode ser perfeita, oferece questionamentos. Ocupar um pódio seria referencial crítico do espetáculo. Estimular os competidores para o lugar mais alto contempla a dinâmica da pirâmide social, promove uma elite.
Historicamente reconhecido como competidor inveterado, o ser masculino deve lidar com essa vocação e esse contexto. É essencial para cada homem refletir sobre esse potencial, à medida que será pai ou já está na função.
Na família, o exercício da paternidade possibilita a trajetória amorosa. Podemos atuar com pedagogia doméstica inspirada nas grandes tradições masculinas de amor (Cristo, Lao-Tsé, Ghandi, o próprio Cubertin) e mostrar aos filhos, entre outras idéias: o genital masculino não precisa ser um representante emblemático do poder - deve ser apenas órgão de prazer; é essencial lidar com a frustração das perdas - o campeão tem tantas ou mais fraquezas quantas o último colocado; ídolos ou celebridades são grandes efeitos da mídia.
1. Professor Washington beraldo Sumaré SP
23/08/2008
O foco voltado todo para o pênis muitas vezes é sinal de uma imaturidade pois o homen perdido em sua total admiração a esse orgão importante para um relcionamento por exemplo se esquece que ele funciona como um complemento e que antes disso tem todo um contexto. Enfim ele tem o seu valor mas a sexualidade é feito também de outros contatos. Voltar atenção apenas na adoração ao pênis é uma perda.