Amoróbica, a ginástica do amor

Amoróbica, a ginástica do amor
02/08/2008

Nas últimas décadas, a importância de se exercitar fisicamente atingiu proporções extraordinárias. Até mais da metade do século passado, era uma opção. Quem quisesse manter-se em forma sem que a profissão exigisse, procurava uma regularidade de exercícios. Hoje, a ginástica é busca generalizada, incluída em todas as agendas e locais.

Empresas, hotéis, condomínios, escolas, residências preocupam-se em reservar um espaço para que todos se dediquem aos exercícios. E cada morador, funcionário, hóspede tenta abrir alguma brecha no seu tempo para cumprir a tarefa.

Algumas pessoas conseguem aproveitar esses horários com inteligência e prazer. Por exemplo, aliando o útil ao agradável: noventa minutos pedalando na bicicleta ou caminhando na esteira, enquanto assistem a um bom filme ou show em DVD.

A atividade de personal trainer tem aumentado muito, sendo uma das profissões de maior demanda na atualidade. A SBPT (Sociedade Brasileira de Personal Trainer) projeta que o número desses profissionais crescerá 50% nos próximos cinco anos.

O exercício físico está reconhecido como essencial e indispensável para a manutenção das funções orgânicas, da longevidade e da qualidade de vida.

No vácuo dessa essencialidade, vem a expectativa de perfeição estética. Estressadas pela ditadura da beleza, as mulheres são as mais atingidas pelos exageros.

Na dimensão salutar e necessária, todos os dias surgem criações específicas visando manter e desenvolver determinadas áreas e funções.

Desde a virada do milênio, a dupla de cientistas Lawrence Katz e Manning Rubin vem trabalhando a teoria e a prática da Neuróbica, a "aeróbica dos neurônios" . É uma forma de exercício mental e cerebral para favorecer as funções mentais, motoras e sensitivas. Todo o funcionamento mecânico e sensorial da mente e do cérebro é beneficiado por novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios.

Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso: limitam o cérebro. Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios que exijam concentração na tarefa.

Pentear os cabelos com mãos trocadas, escovar os dentes com o lado não-dominante, subir de costas um lance de escada, ler uma frase de duas linhas invertendo o sentido das palavras, todos são exercícios válidos para incentivar o sistema nervoso. Desse modo, conseguimos mais plasticidade, uma reativação das sinapses e dos seus circuitos.

Esse trabalho nos inspira a uma extensão adaptável ao contexto do amor. A evolução afetiva tem elevada importância, significa uma revolucionária transformação nos valores e práticas humanas.

Para a realização amorosa, visamos o contentamento espiritual e a satisfação corporal.

O corpo já tem alguns procedimentos clássicos para a prática do sexo. O atletismo sexual é decantado há séculos (o Kama Sutra, famoso compêndio indiano, já tem mais de mil anos).

E a alma? A meditação e a ascese são entendidas como hábitos anímicos. No entanto, têm uma tradição religiosa, uma associação imediata com orações, preces, modos de se comunicar com Deus, ou uma expectativa de evolução espiritual que retira a pessoa do universo humano.

Seria muito importante que nos empenhássemos em esforços e treinamentos amorosos dentro dos nossos limites como pessoa, nas várias funções que desempenhamos ao longo da vida, como filhos, estudantes, trabalhadores, empresários, pais, esposos, amigos, vizinhos etc.

Enviem sugestões aqui para a coluna, compareçam às reuniões do GEA (Grupo de Estudos sobre o Amor), informem-se e interajam no site www.blove.med.br. Tentemos criar a Amoróbica, a aeróbica do amor.

Quanto mais nos empenharmos em treinos afetivos, mais aprimoraremos nossas relações, diminuiremos a violência, combateremos a iniqüidade e fruiremos da paz e do prazer.

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