Muitos casais defendem a idéia de que o encontro erótico não pode ser planejado, com hora certa, rotina semanal, conveniências respeitadas. Nada como um pega-pega na cozinha, interrompendo a faxina da pia, ou um lance louco na varanda, arriscando ser visto pelos prédios vizinhos.
Parece que a inspiração autêntica é aquela que vem nas horas impróprias, criando alguma situação constrangedora, um desafio qualquer. Lembraria o namoro de algumas décadas passadas: o casal rapidamente transava na sala de visitas enquanto os pais da moça assistiam à novela na TV.
O fluxo do desejo espontâneo, que vem do âmago dos amantes, pode realmente ocorrer a qualquer momento. A libido humana não é como a dos animais que depende do cio. Homens e mulheres podem ter emanação erótica pela manhã, no final da tarde, na fila do cinema noturno, em aula de geografia, estudo anatômico, no laboratório de química, ou até mesmo no culto religioso.
Um jovem piedoso de 17 anos, assíduo na paróquia do bairro, viveu um forte drama moral. Pensava que deveria permanecer abstinente, casar-se virgem, mas tinha ereções impertinentes, especialmente nas missas em que as garotas ajoelhavam-se com saia curta. Mesmo preventivamente masturbado, o pênis lotava-se de sangue diante das pernas desejadas. Somente quando iniciada a vida sexual com a primeira namorada é que o ânimo carnal do garoto serenou.
Os pares sexuais podem responder mal a uma programação trabalhada, uma festa elaborada. Sabemos de casais que se deram sexualmente mal na lua-de-mel. Outros criam o hábito de transar “religiosamente” naquele dia, hora e local. Sábado à tarde, depois do cochilo pós-prandial, quando os filhos vão à casa dos primos, vai rolar o sexo, a não ser que o almoço tenha sido pesado...
Os casais de perfil acomodado, que vão progressivamente se aninhando em casa, assumindo o papel de parentes, sempre de chinelos, pijamas, caminham para a intimidade visceral, esquivando-se da erótica. Namoram cada vez menos e almoçam cada vez mais!
De repente, a mulher diz: “vou deixar as crianças na mamãe, hoje à noite, para podermos ir a um cinema, jantar fora e dormir sem elas”. Essa programação se faz indispensável, essencial para dar sobrevida ao sexo conjugal. Se não for assim, abdica-se imperceptivelmente da vida sexual. Um marido entendia que não tinha relação há seis meses, desde o aniversário da esposa. Ela tinha certeza que já eram dez meses, desde o aniversário dele, pois no dela ele não conseguiu transar de tão bêbado.
Alguns pares que não vivem juntos, pessoas que mantêm casos extraconjugais, namorados que moram com os pais, trabalham e só podem sair no final da semana, universitários que estudam em cidade distante de onde residem a família e a namorada são dependentes do sexo programado.
O tempo à espera do reencontro, a saudade e a aliança afetiva dos pares que se esforçam para que o planejamento aconteça e o evento os satisfaça promovem um clima de intensa conjugação erótica e excelente nível de prazer.
Também observamos pares que tanto se congraçam no erotismo planejado ou não. Aproveitam a motivação libidinosa que surge em arroubos surpreendentes e curtem fragorosamente um programa engendrado com capricho.
A rigor, não é a programação do sexo que o define como sem graça ou prazeroso. A conexão amorosa dos casais é o que realmente faz o resultado. Desde os pares que se vêem uma vez por ano, como a ficção romântica já sugeriu, até no cotidiano prosaico de uma família burguesa, o importante é o conjunto de ternura e desejo que conseguem trocar.
1. sexo
18/08/2008
ohohohoho ohohooh
2. Rosário
31/08/2008
O texto é bom... Porém, não acredito que sexo programado dê resultado a longo prazo....Sexo programado pode ser bom até certo ponto... Quando o AMOR entra em cena e não é unilateral, evidentemente que o sexo não precisa ser programado... A não ser que isso ( a programação ) fascine o casal envolvido.....O AMOR abrange tudo (amizade, desejo, lealdade, compartilhamento, dor, raiva, etc...). O SEXO pode existir sem o AMOR... Entretanto, se AMOR e SEXO, estiverem presentes na vida de um casal, muito melhor... Programado ou não, esse relacionamento tem tudo para dar certo... MAS SE NÃO HOUVER AMOR....! Penso assim.... Portanto o que mais gostei do texto , apesar de alguns pequenos senãos foi o último parágrafo: -"A rigor, não é a programação do sexo............de ternura e desejo que conseguem trocar." bjs, Rosário.